A integração regional africana deve assumir um papel central na estratégia de desenvolvimento dos corredores económicos e logísticos, através da criação de infra-estruturas interligadas, harmonização de procedimentos, facilitação do comércio e reforço da cooperação entre os países, assegurou esta Segunda-feira, 28, o ministro de Estado e chefe da Casa Civil do Presidente da República, Dionísio Manuel da Fonseca.
O governante falava em representação do Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, durante a cerimónia oficial de abertura da 2.ª edição do Angola Hub Transporte e Logística Summit 2026, realizada no Centro de Convenções de Talatona, em Luanda, sob o lema “Conectando Mercados, Pessoas e Oportunidades”.
Na sua intervenção, Dionísio da Fonseca destacou a necessidade de Angola e os restantes países africanos adoptarem uma visão cada vez mais integrada para o desenvolvimento das infra-estruturas de transporte e logística, considerando que a conectividade deve ser utilizada como instrumento de transformação económica, aproximação entre mercados e criação de novas oportunidades para as populações e empresas.
Segundo o ministro de Estado, a realização da segunda edição do Angola Hub Transporte e Logística Summit constitui uma oportunidade para aprofundar uma discussão que ultrapassa o sector dos transportes e da logística e que está directamente relacionada com os grandes desafios económicos do continente africano.
O tema escolhido para a edição de 2026, “Conectando Mercados, Pessoas e Oportunidades”, reflecte, segundo o governante, a necessidade de pensar a conectividade para além da construção de infra-estruturas, colocando no centro da discussão a capacidade de os países africanos trabalharem conjuntamente para aumentar a produção, melhorar o comércio, atrair investimento e gerar emprego.
Para Dionísio da Fonseca, a conectividade só assume verdadeira importância económica quando consegue aproximar zonas de produção dos mercados, reduzir os custos das empresas, facilitar a circulação de mercadorias e estimular novas actividades económicas.
“A conectividade não deve constituir um fim em si mesma. Deve ser um instrumento de transformação económica, de integração regional e de melhoria das condições de vida das nossas populações”, afirmou.
Integração regional como prioridade
A intervenção colocou a integração regional no centro da estratégia de conectividade de Angola, com o governante a defender uma maior articulação entre os países africanos para aproveitar o potencial dos corredores económicos.
Na perspectiva apresentada, a existência de uma estrada, ferrovia, porto, aeroporto ou plataforma logística não é suficiente para garantir a integração dos mercados. É necessário que essas infra-estruturas estejam articuladas entre si e sejam acompanhadas por mecanismos de cooperação capazes de facilitar as operações económicas transfronteiriças.
Dionísio da Fonseca salientou que Angola reúne condições geográficas para desempenhar um papel relevante na ligação entre o interior do continente africano, a região da África Austral e os mercados internacionais.
Essa posição poderá ser aproveitada através do desenvolvimento de corredores económicos e logísticos que permitam melhorar as ligações entre os diferentes territórios e criar condições para uma maior integração das economias.
O governante defendeu que esta estratégia deve ser construída numa perspectiva regional, uma vez que os fluxos comerciais e as cadeias de produção ultrapassam as fronteiras de cada país.
“Nenhum corredor económico alcança todo o seu potencial se terminar na fronteira de um país”, afirmou, sublinhando a necessidade de os Estados trabalharem de forma coordenada para garantir a continuidade das ligações económicas.
Corredor do Lobito como eixo estratégico
Entre as infra-estruturas com potencial para contribuir para este processo, Dionísio da Fonseca destacou o Corredor do Lobito, cuja importância, segundo o governante, ultrapassa a dimensão do transporte de mercadorias.
O corredor foi apresentado como uma oportunidade para promover a integração económica e estimular diferentes actividades produtivas ao longo da sua área de influência.

Na perspectiva defendida pelo ministro de Estado, a conectividade proporcionada pelo Corredor do Lobito pode beneficiar sectores como a agricultura, a indústria, os serviços e o comércio, criando condições para aproximar produtores dos mercados e facilitar a circulação de bens.
Esta abordagem pressupõe que os investimentos em infra-estruturas sejam acompanhados por iniciativas destinadas a desenvolver os territórios atravessados pelos corredores.
Assim, a importância do Corredor do Lobito não estaria apenas na capacidade de transportar mercadorias de um ponto para outro, mas também na possibilidade de estimular a actividade económica nos territórios ligados à sua rede.
A aposta passa por criar condições para que empresas nacionais e regionais possam participar nas cadeias de valor associadas aos corredores, contribuindo para aumentar a produção, gerar emprego e diversificar as actividades económicas.
Harmonização de procedimentos
Um dos elementos considerados fundamentais para a integração regional é a harmonização dos procedimentos que condicionam a circulação de pessoas e mercadorias.
Dionísio da Fonseca defendeu que a existência de infra-estruturas interligadas deve ser acompanhada por mecanismos de cooperação entre os países, capazes de reduzir os obstáculos ao comércio e facilitar as operações económicas.
Para o governante, a integração regional pressupõe infra-estruturas interligadas, mecanismos de cooperação, procedimentos harmonizados e condições que facilitem a actividade económica.
A harmonização poderá contribuir para reduzir constrangimentos nas fronteiras e tornar mais eficiente a circulação de mercadorias entre os países.
Esta dimensão assume particular importância para as empresas, sobretudo aquelas que dependem de cadeias de fornecimento que atravessam diferentes territórios.
A redução de barreiras logísticas e administrativas poderá criar condições para que os operadores económicos tenham maior previsibilidade nas suas actividades e possam explorar mercados além das fronteiras nacionais.
Comércio e cadeias de valor regionais
A integração dos sistemas de transporte e logística poderá também contribuir para fortalecer o comércio intra-africano e desenvolver cadeias de valor regionais.
Segundo a intervenção apresentada no fórum, os países africanos devem procurar criar condições para produzir mais, transformar localmente os recursos e aumentar a circulação de bens dentro do próprio continente.
Neste contexto, os corredores económicos podem desempenhar uma função importante ao aproximar zonas de produção, centros industriais, plataformas logísticas e mercados consumidores.
O desenvolvimento dessas ligações poderá permitir que os países deixem de actuar de forma isolada e passem a beneficiar de maior complementaridade económica.
A integração regional poderá igualmente abrir novas oportunidades para empresas de diferentes dimensões, incluindo pequenas e médias empresas, que poderão encontrar novos mercados para os seus produtos e serviços.
Para Angola, a consolidação desta dinâmica poderá reforçar o papel do país enquanto plataforma logística regional e ponto de ligação entre diferentes mercados africanos e internacionais.
Investimento e cooperação internacional
A concretização dos grandes projectos de conectividade exige, entretanto, capacidade de mobilização de financiamento, tecnologia e conhecimento especializado.
O ministro de Estado reconheceu o papel das instituições financeiras e do sector privado na concretização de projectos de grande dimensão, defendendo uma maior aproximação entre Governos, investidores, empresas e organizações internacionais.
A presença de representantes de instituições financeiras internacionais, organizações multilaterais e operadores económicos no Angola Hub Transporte e Logística Summit foi apontada como uma oportunidade para aproximar os diferentes intervenientes necessários ao desenvolvimento de projectos transnacionais.
Dionísio da Fonseca defendeu que a cooperação entre os sectores público e privado deve assentar em objectivos claros, transparência e responsabilidades partilhadas.
Para o governante, a mobilização de investimento deve estar associada a uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo, capaz de assegurar que as infra-estruturas construídas gerem actividade económica e benefícios para os territórios e populações.
Infra-estruturas ligadas à produção
Durante a intervenção, Dionísio da Fonseca salientou que o investimento em infra-estruturas constitui uma condição necessária para o desenvolvimento económico, mas a sua sustentabilidade depende da capacidade de criar actividade e oportunidades.
Por essa razão, defendeu que os projectos de conectividade sejam acompanhados por políticas e iniciativas destinadas a promover a produção nacional, a transformação industrial, o comércio e os serviços.
A integração regional, neste sentido, deverá estar ligada à capacidade de cada país produzir bens e serviços competitivos e de os colocar nos mercados regionais.

Os corredores económicos podem funcionar como instrumentos para essa transformação, desde que estejam associados a zonas produtivas, centros industriais, mercados e plataformas de distribuição.
O objectivo é permitir que a melhoria das infra-estruturas tenha efeitos multiplicadores sobre a economia, estimulando empresas, investimentos e criação de emprego.
Juventude e inovação
A integração regional foi igualmente relacionada com a inovação tecnológica e a participação das novas gerações.
Dionísio da Fonseca valorizou a presença de jovens empreendedores e startups africanas no encontro, destacando a importância das novas ideias para a modernização dos serviços de transporte e logística.
Segundo o governante, o futuro da conectividade africana dependerá não apenas da qualidade das infra-estruturas físicas, mas também da capacidade de inovar, formar recursos humanos e desenvolver competências adequadas à transformação tecnológica e económica.
As novas gerações, acrescentou, devem ser consideradas protagonistas do processo de transformação das economias africanas.
A inovação poderá contribuir para melhorar a gestão logística, aumentar a eficiência dos serviços, facilitar operações comerciais e criar novas soluções para os desafios relacionados com a circulação de pessoas e mercadorias.
Uma visão para além das fronteiras
A mensagem transmitida durante a abertura do Angola Hub Transporte e Logística Summit 2026 é a de que a conectividade deve ser pensada numa dimensão regional e continental.
Para Angola, a localização geográfica e as infra-estruturas existentes e em desenvolvimento podem contribuir para aproximar diferentes espaços económicos, desde que sejam integradas numa estratégia de cooperação com os países vizinhos e com os restantes parceiros africanos.
A lógica defendida pelo ministro de Estado passa por transformar os corredores em instrumentos de integração, evitando que funcionem apenas como canais de passagem.
O desafio consiste em criar condições para que os territórios ligados aos corredores desenvolvam actividade económica, atraiam investimento e participem nas cadeias de valor.
Nesse processo, a cooperação entre os Estados assume uma importância particular, sobretudo na definição de regras comuns, na harmonização dos procedimentos e na criação de condições para facilitar o comércio transfronteiriço.
Do diálogo à cooperação
A segunda edição do Angola Hub Transporte e Logística Summit representa também uma oportunidade para aprofundar o diálogo iniciado em 2025.
Dionísio da Fonseca defendeu que os resultados do encontro devem ultrapassar os debates e contribuir para a construção de soluções concretas.
Segundo o governante, a importância do fórum deverá reflectir-se na capacidade de transformar o diálogo em cooperação, as oportunidades em investimento e o investimento em desenvolvimento.
A integração regional surge, deste modo, como uma dimensão transversal da agenda de transportes e logística de Angola.
Ao aproximar mercados, facilitar a circulação de mercadorias e pessoas, estimular cadeias de valor e criar novas oportunidades para empresas e investidores, os corredores económicos podem contribuir para aprofundar as relações económicas entre os países africanos.
Neste quadro, o Corredor do Lobito assume particular relevância dentro da estratégia de conectividade apresentada por Angola, não apenas pela sua dimensão logística, mas pelo potencial de ligação entre diferentes economias e territórios.
A visão apresentada no fórum aponta para uma conectividade capaz de servir a produção, o comércio e o investimento, colocando a cooperação regional como uma das condições para transformar as infra-estruturas em motores de desenvolvimento.
Com a segunda edição do Angola Hub Transporte e Logística Summit, Angola procura, assim, reforçar o debate sobre uma agenda em que transportes, logística, investimento e integração económica estejam cada vez mais articulados, com o objectivo de aproximar mercados africanos e ampliar as oportunidades de desenvolvimento regional.





