A ilha do Fogo recebe, no dia 29 de setembro, a quarta edição da Conferência Internacional de Turismo da Natureza, que coloca em debate o contributo da transformação digital para a valorização dos destinos, a proteção dos recursos naturais e o desenvolvimento das comunidades. O encontro decorre em Chã das Caldeiras, integrado numa agenda de atividades que percorre os três municípios da ilha.
A inteligência artificial assume particular destaque no programa, com painéis dedicados à sustentabilidade do turismo rural e de natureza, à promoção internacional de Cabo Verde e de pequenos Estados insulares e aos desafios que as plataformas digitais colocam aos operadores turísticos. A gestão de percursos pedestres e áreas naturais, a conservação da biodiversidade e a valorização turística das aldeias rurais são outros temas em análise.
Estão previstas intervenções de Indira Campos, representante residente do Banco Mundial em Cabo Verde, e de Sofía Gutiérrez, vice-diretora de Turismo Sustentável e Resiliência da ONU Turismo.
Entre os participantes destaca-se também Apolónia Rodrigues, presidente da Associação Dark Sky Alqueva e Gustavo Timo, da Adventure Travel Trade Association.
O encontro inclui ainda um balanço do Programa de Valorização Turística e Ambiental das Aldeias Rurais e uma apresentação sobre nómadas digitais e destinos turísticos inteligentes.
Na agenda paralela, o destaque vai para a 1ª edição do Provinho, Salão Internacional do Vinho, Bebidas e Produtos Agropecuários, que contará com a participação de adegas e produtores de vinho e da Associação de Chefes de Cozinha de Cabo Verde, com exposição, showcooking e animação cultural.
A presença do salão aproxima o debate turístico da produção local, dando visibilidade ao vinho, à gastronomia e aos produtos agropecuários enquanto componentes da experiência de visita à ilha. Num território marcado pela paisagem vulcânica, pelas vinhas e pelo café, esta ligação abre espaço à criação de roteiros que combinem natureza, cultura e contacto com os produtores.
A 4ª edição da Conferência Internacional de Turismo de Natureza acontece num contexto em que Cabo Verde procura diversificar a oferta turística e distribuir os benefícios do setor por mais ilhas e comunidades. Apesar do crescimento da atividade, a procura permanece fortemente concentrada: em 2025, os estabelecimentos hoteleiros receberam cerca de 1,25 milhões de hóspedes, mais 6% do que no ano anterior, com Sal e Boa Vista a reunirem 82,1% das entradas, segundo o Instituto Nacional de Estatística.
O turismo rural e de natureza integra a estratégia nacional de diversificação, com particular relevância para ilhas como Santo Antão, São Nicolau, Santiago, Fogo e Brava. A valorização das paisagens, dos caminhos pedestres e do património cultural procura alargar a oferta para além do segmento de sol e praia e criar oportunidades de rendimento nos territórios rurais.





