O Ministério do Turismo de Angola apresentou, em Luanda, a Estratégia Nacional de Dinamização do Investimento Privado no Turismo, denominada “Investe Turismo”, uma iniciativa que pretende transformar o potencial turístico do país em projectos concretos, capazes de mobilizar capital privado, gerar actividade económica e contribuir para o desenvolvimento das diferentes regiões de Angola.
O instrumento, aprovado pela Comissão Económica do Conselho de Ministros a 20 de Agosto, estabelece uma nova abordagem para a promoção e estruturação do investimento no sector turístico, colocando no centro da estratégia a identificação de oportunidades, a preparação de activos, a criação de condições infra-estruturais e a aproximação entre investidores e projectos.
A apresentação oficial aconteceu no Auditório Pedro Mutinde, nas instalações do Ministério do Turismo, em Luanda, num acto coordenado pelo secretário de Estado para a Gestão de Activos e Concessões Turísticas, Josemar Afonso.
O encontro contou com a participação de membros do Conselho de Direcção do Ministério do Turismo, instituições financeiras, Câmaras de Comércio, consultores económicos e de investimento, representantes do sector privado, órgãos de comunicação social e outros parceiros envolvidos na mobilização de capital para o desenvolvimento turístico.
A iniciativa surge com o propósito de inaugurar uma nova etapa na forma como Angola aborda o investimento turístico, deixando de concentrar a estratégia apenas na promoção do potencial existente e passando a estruturar oportunidades concretas para investidores nacionais e internacionais.
Durante a apresentação, o secretário de Estado para a Gestão de Activos e Concessões Turísticas destacou que o Investe Turismo representa uma mudança na actuação do Ministério, ao colocar a estruturação de activos, a preparação de oportunidades e a mobilização de capital privado como elementos fundamentais para o crescimento do sector.
Segundo Josemar Afonso, os instrumentos estratégicos desenvolvidos antes do Investe Turismo permitiram criar condições para que o país avance para uma fase de maior concretização das suas potencialidades.
O responsável defendeu que Angola reúne condições para deixar de ser apresentada apenas como um território com elevado potencial turístico e passar a transformar esse potencial em projectos de investimento e actividade económica.
“Temos a atenção do mundo e temos condições suficientes para começarmos a deixar de falar de Angola enquanto potencial turístico, para começarmos a concretizar esse potencial. E isto será feito através de investimento privado”, afirmou.
700 milhões de dólares para infra-estruturas públicas
Um dos elementos de maior dimensão apresentados durante o encontro está relacionado com o investimento público em infra-estruturas de suporte às áreas consideradas prioritárias para o desenvolvimento turístico.
Segundo os dados apresentados pelo Ministério do Turismo, estão aprovadas despesas de aproximadamente 700 milhões de dólares para infra-estruturas públicas associadas às Áreas de Interesse e Potencial Turístico (AIPT).
Os investimentos previstos abrangem infra-estruturas consideradas essenciais para criar melhores condições de acesso e funcionamento dos territórios seleccionados, incluindo estradas, sistemas de abastecimento de água e saneamento.
A disponibilização destas infra-estruturas é apontada como uma componente necessária para tornar as áreas identificadas mais atractivas para o investimento privado, uma vez que a existência de acessibilidades e serviços básicos constitui uma das condições para a implementação e funcionamento de empreendimentos turísticos.
O valor de aproximadamente 700 milhões de dólares representa uma componente importante da estratégia de preparação do território para receber novos investimentos, criando condições para que os activos turísticos possam ser transformados em projectos economicamente estruturados.
Planifica Turismo identifica 29 áreas
A dimensão territorial do programa foi apresentada pelo director nacional de estruturação de Projectos e Ordenamento do Território, Denilson Gonçalves, que destacou os resultados alcançados através do Planifica Turismo.
O programa permitiu identificar 29 Áreas de Interesse e Potencial Turístico, que passam a constituir uma base territorial para orientar a intervenção pública e facilitar a entrada de investidores privados.
A identificação destas áreas permite ao Ministério organizar as oportunidades existentes no território e estabelecer uma abordagem mais estruturada para a preparação de projectos turísticos.
As AIPT constituem, desta forma, uma das bases para a implementação do Investe Turismo, na medida em que permitem associar o potencial turístico de determinadas regiões à preparação de condições necessárias para a realização de investimentos.
A estratégia procura também criar maior previsibilidade para os investidores, disponibilizando oportunidades estruturadas e articuladas com a intervenção pública no território.
Diferentes segmentos de capital identificados
A mobilização do investimento privado constitui outro dos pilares da estratégia.
O Director Nacional da Economia das Concessões Turísticas, Bruno de Matos, explicou que o Ministério definiu uma abordagem destinada a aproximar as oportunidades existentes em Angola dos diferentes segmentos de capital identificados como prioritários para o desenvolvimento do turismo.
Entre os potenciais investidores estão operadores hoteleiros e turísticos, fundos de hospitalidade e real estate, instituições de financiamento ao desenvolvimento, mecanismos de financiamento misto, capital soberano e GCC, capital lusófono e brasileiro, capital nacional e a diáspora.
A identificação destes grupos pretende permitir uma abordagem mais direccionada na apresentação das oportunidades de investimento, considerando as características e os interesses dos diferentes segmentos de capital.
A estratégia procura, igualmente, ampliar as possibilidades de financiamento dos projectos turísticos, combinando investimento nacional e estrangeiro com instrumentos de financiamento ao desenvolvimento e mecanismos de financiamento misto.
Ministério cria Concierge para investidores
Outra novidade apresentada durante o acto foi a criação do Concierge, mecanismo concebido para facilitar a relação entre os investidores e o Ministério do Turismo.

Através de uma plataforma digital, o Concierge pretende funcionar como um canal directo através do qual os investidores poderão apresentar propostas, solicitar informações, esclarecer dúvidas e receber orientação relativamente aos procedimentos necessários para a estruturação dos seus projectos.
A ferramenta procura criar uma porta de entrada institucional para o investimento turístico, simplificando a comunicação entre o sector privado e as estruturas responsáveis pela análise e encaminhamento das propostas.
Com este mecanismo, o Ministério pretende melhorar o acompanhamento dos investidores interessados no sector, proporcionando maior clareza sobre os procedimentos e os passos necessários para transformar uma intenção de investimento num projecto estruturado.
O Concierge poderá também contribuir para aproximar investidores nacionais, incluindo empresários e membros da diáspora, das oportunidades identificadas nas diferentes regiões do país.
Do potencial turístico ao investimento concreto
A apresentação do Investe Turismo representa uma tentativa de reposicionar a discussão sobre o turismo em Angola, com maior enfoque na transformação dos recursos e activos existentes em oportunidades de negócio.
Durante anos, o potencial turístico do país tem sido associado à diversidade de paisagens, recursos naturais, património cultural, praias, rios, áreas de conservação e outros atractivos espalhados pelas diferentes províncias.
Com a nova estratégia, o Ministério pretende avançar para uma fase em que esses activos sejam acompanhados por processos de estruturação capazes de facilitar a sua transformação em projectos de investimento.
A lógica passa por aproximar três dimensões fundamentais: território, infra-estruturas e capital privado.
De um lado, estão as áreas identificadas pelo Planifica Turismo; de outro, a preparação das condições infra-estruturais necessárias, incluindo os cerca de 700 milhões de dólares aprovados para intervenções públicas; e, finalmente, a mobilização de investidores capazes de desenvolver os empreendimentos.
Esta articulação pretende criar uma cadeia de investimento em que a intervenção pública ajude a preparar o território e o sector privado participe na concretização dos projectos turísticos.
Turismo como instrumento de diversificação económica
A aposta no investimento privado no turismo está igualmente relacionada com a necessidade de diversificação da economia angolana.
A dinamização do sector poderá envolver diferentes áreas de actividade, desde hotelaria e restauração até transportes, entretenimento, serviços, comércio, produção de bens e outros sectores ligados à cadeia de valor turística.
A implementação de novos projectos poderá também criar procura por fornecedores nacionais e estimular a participação de pequenas e médias empresas em actividades associadas ao turismo.
Neste sentido, o Investe Turismo não se limita à construção de empreendimentos turísticos, mas procura criar condições para que o desenvolvimento do sector tenha efeitos sobre outras actividades económicas.
A estruturação de oportunidades e a criação de infra-estruturas nas áreas identificadas poderão ainda contribuir para uma distribuição territorial mais ampla dos investimentos, permitindo que o turismo seja desenvolvido para além dos principais centros urbanos.
Uma nova relação entre Estado e sector privado
Com a estratégia apresentada, o Ministério do Turismo procura reforçar a articulação entre o Estado e o sector privado, assumindo um papel de preparação, facilitação e encaminhamento das oportunidades.
A criação do Concierge constitui uma das ferramentas destinadas a aproximar essas duas dimensões, permitindo que os investidores tenham um canal específico para apresentar propostas e obter informações.
A presença, no lançamento, de instituições financeiras, Câmaras de Comércio, consultores, empresários e outros parceiros demonstra também a intenção de construir uma rede de actores em torno das oportunidades de investimento turístico.
O objectivo passa por criar um ambiente em que as oportunidades sejam mais facilmente identificadas, estruturadas, apresentadas e posteriormente transformadas em projectos.
Investimento privado no centro da estratégia
Para o Ministério do Turismo, a concretização do potencial turístico de Angola dependerá de uma maior participação do capital privado, acompanhada pela criação de condições públicas que permitam reduzir os obstáculos à implementação dos projectos.
O Investe Turismo coloca, por isso, o investimento privado como um dos principais instrumentos para transformar os activos turísticos em actividade económica.
A estratégia combina a identificação das áreas de interesse, a estruturação dos activos, o investimento público em infra-estruturas, a identificação dos segmentos de capital e a criação de mecanismos de relacionamento directo com os investidores.
Com aproximadamente 700 milhões de dólares previstos para infra-estruturas públicas associadas às 29 Áreas de Interesse e Potencial Turístico, o processo pretende criar uma base para que novos projectos possam ser desenvolvidos nas regiões identificadas.
A expectativa apresentada pelo Ministério é que esta combinação entre preparação territorial, investimento público e mobilização de capital privado permita acelerar a transformação do potencial turístico de Angola em projectos concretos.
O Investe Turismo passa, assim, a constituir uma das principais ferramentas do Ministério do Turismo para estruturar oportunidades, aproximar investidores e promover uma nova dinâmica no sector, tendo como horizonte a criação de projectos executáveis e a geração de impacto económico no território nacional.





