O primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, defendeu há dias, na cidade da Praia, que o português já devia ser língua de trabalho nas Nações Unidas, tendo considerado tratar-se de “um grande desafio” que todos os países lusófonos devem vencer.
Falando ao jornalistas à margem da sessão de abertura do XI Encontro de Escritores de Língua Portuguesa, na capital cabo-verdiana, o chefe do Governo de Cabo Verde defendeu ser tempo de fazer com que os custos de implementação não sejam um obstáculo à língua portuguesa na comunidade das Nações.
“Eu creio que um dia chegaremos lá porque as justificações têm sido sempre financeiras, económicas, mas há de se ultrapassar”, disse, admitindo que se trata de “um grande debate e um grande desafio”.
Ulisses Correia e Silva lembrou o repto que foi lançado no discurso do Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, na Assembleia-geral da ONU, em Setembro último, referindo que é uma ambição justa porque “há milhões de falantes com muita diversidade”.
Questionado sobre o papel da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) neste objectivo, o líder do governo cabo-verdiano considerou que, como representante dos diferentes países lusófonos, a organização “também deve fazer esta luta conjunta”.
Na sessão de abertura do encontro de escritores, que tem como tema nesta edição “A língua portuguesa, expressão de liberdade, democracia e desenvolvimento municipal”, o presidente do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP), João Neves, referiu que a criação literária contribui para que o português ganhe significado.
Citado pela Lusa, o responsável afirmou que a literatura contribui para a formação humana, “porque a sua ligação à língua promove a formação de cidadãos críticos, permitindo assim um exercício de cidadania mais plena”.





