No dia 6 de Maio, a empresa realizou em Luanda a primeira edição do Cegid Connections, reunindo mais de 150 profissionais para debater o futuro da gestão empresarial e apresentar o Cegid Pulse, a sua solução de IA integrada no software ERP. Nesta entrevista, Paulo Carvalho, General Manager da Cegid em Portugal e África, partilha a visão da Cegid para o mercado de Angola, que consiste numa forte aposta em Inteligência Artificial com impacto real nos negócios.
A Cegid está presente em Angola há vários anos. Qual é o vosso posicionamento estratégico no país?
Angola sempre foi um mercado importante para a Cegid. O que mudou, ao longo dos anos, foi a nossa capacidade de nos aproximar cada vez mais dos clientes e de responder às especificidades do contexto local. Queremos ser o parceiro estratégico para acompanhar as empresas angolanas na sua jornada de transformação digital. Em Angola, temos mais de 500 técnicos certificados pela nossa unidade de formação Cegid Academy, que acompanham os desafios da gestão de empresas de sectores muito distintos, desde a indústria ao retalho, passando pela área financeira e pela saúde. A nossa aposta assenta em três vectores: primeiro, continuar a ajudar as empresas angolanas a serem mais produtivas, tornando a inteligência artificial uma realidade prática e com impacto real no seu dia-a- dia. Segundo, garantir que as nossas soluções acompanham as exigências regulatórias e fiscais específicas de Angola. E terceiro, reforçar o nosso ecossistema de parceiros locais certificados, que são a extensão da Cegid no terreno. Angola é um mercado em transformação acelerada e queremos estar presentes e comprometidos nessa jornada.
O evento Cegid Connections, realizado em Luanda, reuniu mais de 150 profissionais. O que revelou sobre as principais preocupações e necessidades das empresas angolanas?
O Cegid Connections foi um momento muito enriquecedor para nós, precisamente porque nos permitiu ouvir directamente os clientes, os parceiros e os decisores das empresas angolanas. Tivemos mais de 150 profissionais numa sala a debater o futuro da gestão empresarial. Isso diz muito sobre o nível de maturidade e de ambição do mercado. O que ficou claro é que há três grandes preocupações transversais. A primeira é a eficiência operacional: as empresas querem fazer mais com menos, automatizar processos que hoje são manuais e morosos, e ter visibilidade em tempo real sobre o seu negócio. A segunda é o cumprimento das obrigações fiscais e regulatórias. Angola está a reforçar as suas exigências neste domínio e as empresas estão muito atentas aos riscos de incumprimento. A terceira é a confiança nos dados, nos sistemas e nos parceiros tecnológicos. Para nós, o evento reafirmou que estamos no caminho certo. A Cegid é uma empresa que se propõe a apoiar os gestores a resolver os problemas reais dos negócios.
O Cegid Pulse foi o grande destaque do evento. O que é, concretamente, e como se diferencia de outras soluções de inteligência artificial no mercado?
O Cegid Pulse é a nossa camada de inteligência artificial integrada nativamente no software ERP. E a palavra “nativamente” é fundamental, porque é o que nos distingue da maioria das soluções de IA que existem no mercado. A maior parte das ferramentas de IA são camadas externas, ou seja, o utilizador tem de sair do seu software de gestão, entrar noutro ambiente, fazer perguntas e depois regressar ao ERP para agir. O Cegid Pulse está presente em todos os ecrãs e fluxos de trabalho do software. Não é um add-on, não é uma camada adicional, é parte integrante do sistema. O Cegid Pulse assenta em dois tipos de inteligência. Os smart assistants permitem que qualquer utilizador interaja com os dados do negócio em linguagem natural, sem precisar de conhecimentos técnicos. Um diretor financeiro pode perguntar, por exemplo, “qual é a nossa previsão de fluxo de caixa para as próximas 12 semanas?” e receber uma resposta imediata com os dados da sua empresa. Por outro lado, as smart actions vão mais longe e agem de forma proactiva, automatizando tarefas e enviando alertas para situações que requerem atenção, sem que o utilizador precise de pedir. A outra diferença fundamental é o contexto. A IA do Cegid Pulse não é IA genérica, é alimentada pelos dados de negócio da empresa. Isso permite recomendações relevantes, previsões e alertas precisos que uma ferramenta de IA genérica simplesmente não consegue oferecer sem meses de personalização.
“O Cegid Pulse não é um add-on, não é uma camada adicional, é parte integrante do sistema, com contexto real dos dados de cada empresa.”

Pode dar exemplos concretos de como o Cegid Pulse muda o dia-a-dia de um director financeiro ou de um gestor de recursos humanos numa empresa angolana?
Sim, é uma pergunta bastante pertinente, porque a IA só faz sentido quando é concreta e tem impacto real nos negócios. Deixe-me dar dois exemplos. Um director financeiro começa o dia e recebe um alerta do Cegid Pulse: “O cliente X apresenta risco crescente de atraso no pagamento. Considere rever as condições de crédito.” Sem ter pedido nada, sem ter aberto nenhum relatório. O sistema detectou o padrão, avaliou o risco e agiu de forma proativa. Mais tarde, quer preparar o fecho do mês. Em vez de uma tarde de trabalho manual, o ERP concluiu as conciliações bancárias, categorizou automaticamente os lançamentos contabilísticos e sinalizou apenas as excepções que requerem revisão humana. O director financeiro valida, aprova com um clique, e o fecho está feito. Para um responsável de recursos humanos, o impacto é igualmente tangível. O contrato de um novo colaborador é carregado no sistema e é só isso que é preciso fazer. O Cegid Pulse cria automaticamente o registo do colaborador, configura os impostos aplicáveis e gera o rascunho de inscrição nos benefícios. O que antes exigia múltiplos passos manuais e o risco de erro humano fica resolvido em segundos, de forma consistente e conforme a legislação em vigor. Em ambos os casos, o que muda é fundamental: as pessoas deixam de gastar tempo em tarefas operacionais e repetitivas, e passam a focar-se no que realmente importa: decidir e crescer.
A Cegid tem um programa de certificação de parceiros. O que significa isso para o ecossistema local e para as empresas angolanas que escolhem trabalhar com a Cegid?
O ecossistema de parceiros é, para nós, uma extensão da nossa equipa no terreno. Em Angola, já temos mais de 500 técnicos certificados através da Cegid Academy. São profissionais que conhecem as nossas soluções em profundidade, que entendem o contexto empresarial local, e que são capazes de apoiar os nossos clientes nas implementações, nas atualizações e no dia-a-dia. cEm 2026, lançámos um novo Programa de Parceria com uma novidade importante: a certificação em inteligência artificial para todo o canal de parceiros. O objetivo é garantir que todos os profissionais Cegid, sejam colaboradores diretos ou parceiros, têm competências certificadas em IA. Não queremos que a adoção do Cegid Pulse dependa apenas do software, queremos que os parceiros sejam capazes de apoiar os clientes nesta transformação.
A Cegid tem crescido a nível global, mais de mil milhões de euros de faturação. Que impacto tem esta escala global na proposta de valor que oferecem às empresas angolanas?
A escala da Cegid é um elemento de confiança para os nossos clientes em Angola. Com mais de mil milhões de euros de faturação global, mais de 5 mil colaboradores e 750 mil clientes em todo o mundo, estamos a falar de uma empresa com grande capacidade de investimento em inovação, IA e segurança. No entanto, a escala global não nos torna distantes das empresas. Em Portugal e em África, temos uma operação com 700 colaboradores, com liderança local, com parceiros locais e com uma compreensão profunda dos mercados onde operamos. Podemos dizer que contamos com o melhor dos dois mundos: a capacidade de inovação de um grupo com dimensão internacional, com a proximidade e o conhecimento de quem está no terreno. Para uma empresa angolana que precisa de um parceiro tecnológico de longo prazo, essa combinação pode ser difícil de encontrar.
Sobre a Cegid
A Cegid é líder europeia em soluções de gestão empresarial na cloud para profissionais das áreas financeira (tesouraria, fiscalidade e ERP), Recursos Humanos (processamento salarial e gestão de talento), contabilidade, retalho e empreendedorismo.
Na região de Portugal, Angola, Moçambique e Cabo Verde, a Cegid conta com um total de 60 mil clientes, 300 mil utilizadores e uma faturação de 85 milhões de euros em 2025 nesta região.





