O ministro dos Transportes, Ricardo Viegas D’Abreu, defendeu esta Quarta-feira, 3, em Luanda, um maior envolvimento da banca no financiamento da economia real, argumentando que a diversificação económica de Angola dependerá da capacidade de mobilizar capital privado para projectos estruturantes, num contexto de limitações orçamentais do Estado.
O governante falava na primeira edição do “Executive Breakfast – Transportes & Banca”, promovido pela FORBES ÁFRICA LUSÓFONA, em parceria com o Ministério dos Transportes (MINTRANS) – onde fez uma apresentação estratégica do sector, abordando a visão macroeconómica do pelouro que dirige, as reformas institucionais e certificações internacionais, o pipeline de projectos prioritários, bem como os possíveis modelos de parceria com a banca e o sector privado.
Ricardo D’Abreu sublinhou que a transformação da economia angolana exige investimentos simultâneos em infra-estruturas, serviços públicos e capital humano, incluindo saúde, educação e qualificação das futuras gerações.
Segundo disse, a concretização desta agenda passa necessariamente pela adopção de mecanismos inovadores de financiamento e pela participação activa do sector financeiro, uma vez que o processo de diversificação não pode continuar a depender exclusivamente dos recursos públicos.
“A diversificação económica tem de ser vista como uma responsabilidade de todos nós. Os bancos também estão expostos à volatilidade do preço do petróleo e aos ciclos da produção petrolífera”, alertou.
O ministro recordou que a forte dependência das receitas petrolíferas continua a limitar a capacidade de investimento do Estado, obrigando o Executivo a adoptar, em períodos de crise, medidas de natureza restritiva, com impacto na despesa pública, na liquidez da economia e na política cambial.
Nesse sentido, salientou que o actual Orçamento Geral do Estado (OGE) permanece abaixo dos níveis registados em 2014 e 2015, reflectindo a redução das receitas públicas ao longo dos últimos anos.
“A nossa receita é menor, o orçamento tem de ser menor. Temos uma agenda clara para a diversificação económica, mas precisamos de criar mais espaço orçamental para a concretizar”, referiu.
Para o governante, uma das soluções passa por retirar do orçamento determinados projectos susceptíveis de serem financiados através de modelos alternativos, permitindo ao Estado concentrar recursos em áreas prioritárias como saúde, educação, mobilidade urbana e outros serviços essenciais com impacto directo no bem-estar da população.
Viegas D’Abreu reconheceu, no entanto, que o processo de transformação económica será exigente, mas considerou que o potencial de crescimento dos sectores não-petrolíferos justifica uma aposta mais acelerada na diversificação.
Apontou como exemplos o aumento da produção agrícola, a expansão da actividade industrial e o crescimento do turismo, sectores que poderão gerar novas fontes de receita, aumentar as exportações e reduzir a dependência do petróleo.
“Se olharmos para a agricultura, para a indústria ou para o turismo, percebemos que existe um enorme potencial de crescimento e de geração de riqueza. O desafio passa por acelerar esse processo e criar as condições necessárias para que ele aconteça”, concluiu.
Aceda à apresentação completa do Ministro dos Transportes no link abaixo.





