O Banco de Moçambique está a preparar um plano para comprar ouro produzido no país, com o objectivo de reforçar as reservas internacionais, diversificar os activos externos e aumentar o aproveitamento dos recursos minerais nacionais.
A iniciativa pretende aproximar o sector aurífero da gestão das reservas do banco central, numa estratégia de protecção da economia face a choques externos.
O anúncio foi feito pelo governador do banco central, Felisberto Navalha, durante a sessão de abertura da 51.ª reunião do Conselho Consultivo da instituição.
Segundo o responsável, está a ser elaborado, em coordenação com o Ministério dos Recursos Minerais e Energia, um plano de trabalho para operacionalizar a aquisição de ouro de produção doméstica.
“No domínio da gestão das reservas internacionais e em coordenação com o Ministério de Recursos Minerais e Energia, estamos a elaborar um plano de trabalho que visa operacionalizar a aquisição de ouro de produção doméstica”, afirmou o governador.
Navalha enquadrou a iniciativa numa tendência de diversificação das reservas dos bancos centrais, incluindo em África, através da aquisição de ouro produzido internamente. A medida poderá permitir que parte da riqueza mineral moçambicana contribua directamente para a composição dos activos externos do país.
As reservas internacionais desempenham um papel central na estabilidade financeira, ao assegurar meios de pagamento para o comércio externo e proporcionar capacidade de resposta perante pressões sobre a balança de pagamentos.
Entretanto, a operacionalização do plano dependerá da capacidade de garantir que o ouro adquirido tem origem legal, qualidade certificada e preços compatíveis com as condições do mercado. O controlo da produção e da comercialização do metal precioso será, por isso, determinante para a credibilidade do mecanismo.
Neste contexto, a criação de uma refinaria de ouro em Moçambique tem sido apontada como um passo importante para reforçar a capacidade nacional de processamento e certificação. Uma cadeia de comercialização mais estruturada poderá facilitar a identificação da origem do metal e criar condições para a sua aquisição pelo banco central.
O ouro já integra as reservas internacionais do Banco de Moçambique. No final de 2025, o activo estava avaliado em cerca de 548,2 milhões de dólares, valor que recuou para aproximadamente 507,6 milhões de dólares em Junho de 2026, apesar de a quantidade física detida se ter mantido próxima das 126.575 onças, segundo os dados oficiais referidos.
A descida do valor reflecte sobretudo a evolução da cotação internacional do metal, indicando que a avaliação das reservas em ouro está sujeita às oscilações do mercado.
A compra de ouro nacional poderá criar uma ligação mais directa entre a actividade mineira e a gestão das reservas externas. Contudo, o impacto da iniciativa dependerá dos volumes adquiridos, dos preços praticados e dos custos de processamento e certificação, além da garantia de que o metal cumpre os requisitos legais e de rastreabilidade.
O plano representa uma oportunidade para converter parte da produção aurífera nacional num activo estratégico de reserva. A sua eficácia dependerá, porém, da definição de regras transparentes de aquisição e da capacidade de conciliar os objectivos de diversificação financeira com a integridade da cadeia de comercialização do ouro, de acordo com especialistas.




