BPI já encaixou 50% da venda do Banco de Fomento Angola

O BPI já recebeu cerca de metade dos 103 milhões de euros resultantes da venda de 14,75% da sua participação no Banco de Fomento Angola (BFA), prevendo concluir a operação até ao final do ano, num processo condicionado pela capacidade do sistema financeiro angolano em efectuar transferências em moeda estrangeira. A informação foi avançada pelo…
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Apesar do desinvestimento parcial, o BFA continua a ser um activo relevante nas contas do BPI, ainda que com resultados em queda. O banco português já encaixou metade dos 103 milhões de euros da venda no BFA, num processo condicionado por limitações cambiais.
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O BPI já recebeu cerca de metade dos 103 milhões de euros resultantes da venda de 14,75% da sua participação no Banco de Fomento Angola (BFA), prevendo concluir a operação até ao final do ano, num processo condicionado pela capacidade do sistema financeiro angolano em efectuar transferências em moeda estrangeira. A informação foi avançada pelo presidente executivo do banco, João Pedro Oliveira e Costa, durante a apresentação de resultados trimestrais, em Lisboa.

A alienação parcial da posição no BFA, realizada em Setembro de 2025 através de colocação em bolsa, reduziu a participação do BPI para 33,35%, em linha com a estratégia de mitigação de risco associada à exposição a mercados considerados mais voláteis. Desde 2017, o banco português vinha sendo pressionado pelo Banco Central Europeu (BCE) a diminuir a sua presença em Angola, num contexto de maior exigência regulatória sobre concentração geográfica de activos.

Segundo o gestor, o pagamento da operação tem sido efectuado de forma faseada, respeitando as limitações estruturais do sistema cambial angolano. “Recebemos até agora 50% do valor”, afirmou, acrescentando que o montante remanescente deverá ser liquidado até ao final do ano, incluindo dividendos acumulados do BFA referentes a exercícios anteriores.

Apesar da redução da exposição, Angola continua a desempenhar um papel relevante nas contas do grupo. A contribuição do BFA para os resultados do BPI atingiu 42 milhões de euros até Março, embora represente uma queda de 9% face ao período homólogo.

No total, o BPI registou lucros de 133 milhões de euros no primeiro trimestre, uma redução de 2% em termos anuais. Em Portugal, o resultado líquido caiu de 98 milhões para 90 milhões de euros, evidenciando uma pressão transversal sobre a rentabilidade do grupo.

A estrutura accionista do BFA mantém-se dominada por interesses angolanos, com a Unitel – controlada pelo Estado – a deter 36,90% do capital, seguida do próprio BPI (33,35%).

A operação de desinvestimento em Angola ilustra o equilíbrio delicado entre a atractividade de mercados com elevado potencial de retorno e os constrangimentos operacionais que continuam a marcar o ambiente financeiro do país, nomeadamente ao nível da repatriação de capitais, um factor crítico para investidores internacionais.

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