Cabo Verde necessita de mobilizar cerca de 500 milhões de euros em investimentos para modernizar e expandir as infra-estruturas portuárias do país, reforçar a conectividade marítima e aproveitar a sua posição geográfica estratégica nas rotas comerciais internacionais, revelou esta Segunda, feira, na Ilha do Sal, o presidente do Conselho de Administração da Empresa Nacional de Administração dos Portos (ENAPOR), que apresentou os desafios do sector no âmbito do Fórum de Investimento da África Lusófona.
Durante a sua intervenção Hamir Inocêncio, o responsável destacou que, ao contrário de outros países, Cabo Verde não dispõe de ligações ferroviárias ou hidroviárias para o transporte de mercadorias, dependendo essencialmente das rotas marítimas para assegurar a circulação de bens, o abastecimento do mercado interno e a ligação aos mercados internacionais.
Neste contexto, considerou prioritário o investimento em infra-estruturas portuárias modernas, capazes de responder às exigências das grandes linhas de navegação e atrair operações de transbordo, permitindo que o arquipélago funcione como uma plataforma logística de distribuição de mercadorias para diferentes destinos africanos.

O responsável recordou que o país realizou, em 2014, investimentos portuários avaliados em cerca de 340 milhões de euros, em parceria com o Governo, mas sublinhou que o actual contexto exige novos financiamentos para ampliar a capacidade operacional dos portos e melhorar a competitividade do sistema marítimo nacional.
Pacote de financiamento e parcerias internacionais
Entre os projectos em preparação, o presidente da ENAPOR destacou a necessidade de mobilizar recursos junto de instituições financeiras internacionais, incluindo a União Europeia e outros parceiros de desenvolvimento, para viabilizar as obras consideradas prioritárias.
De acordo com os dados apresentados, está em curso um pacote de financiamento associado ao programa Global Gateway, no valor de aproximadamente 146 milhões de euros, dos quais cerca de 80 milhões de euros já estarão garantidos. A operação mantém, contudo, necessidades adicionais de financiamento para assegurar a concretização dos investimentos previstos.
Hamir Inocêncio salientou que a captação dos recursos necessários será determinante para dotar os portos cabo-verdianos de capacidade para receber navios de maior dimensão, aumentar o movimento de contentores e oferecer serviços competitivos às companhias de navegação que operam nas principais rotas do Atlântico.




