O ministro dos Transportes de Angola, Ricardo de Abreu, destacou, esta Segunda-feira, na Ilha do Sal, Cabo Verde, a identificação de mais de 144 oportunidades de negócio, avaliadas em cerca de 13 mil milhões de dólares, no âmbito do Plano Director do Corredor do Lobito, abrangendo 10 sectores de actividade em sete províncias angolanas.
Ao intervir sobre os desafios e as oportunidades de desenvolvimento das infra-estruturas africanas, no Fórum de Investimento da África Lusófona, com enfoque na criação de emprego e na diversificação económica, o governante afirmou que o Corredor do Lobito começa a apresentar resultados visíveis, tanto na operação ferroviária e no transporte de mercadorias como na criação de oportunidades de investimento noutros sectores da economia.
Segundo Ricardo de Abreu, as oportunidades identificadas ultrapassam o domínio dos transportes e da logística, abrangendo áreas estratégicas para a diversificação da economia, a segurança alimentar, a segurança energética e a transição digital.
O ministro explicou que o Executivo angolano tem apostado num modelo de desenvolvimento que combina investimento público e capital privado, através de concessões e da criação de condições institucionais, legais e regulatórias capazes de garantir segurança jurídica aos investidores.
Neste quadro, Angola já concluiu seis concessões, enquanto prossegue o desenvolvimento de outros corredores logísticos, incluindo os corredores Norte, do Namibe e de Cabinda.
Investimentos e integração regional
No plano regional, Ricardo de Abreu referiu que o desenvolvimento do Corredor do Lobito envolve Angola, a República Democrática do Congo (RDC) e a Zâmbia, com o objectivo de facilitar a circulação de mercadorias, estimular a actividade económica e criar novas oportunidades de negócio nos três países.
O governante avançou que foram identificadas 80 iniciativas em Angola e na RDC, associadas a investimentos e assistência técnica na ordem dos 8,4 mil milhões de dólares. Deste conjunto, 45 iniciativas encontram-se em curso na região.

Para o ministro, a transformação local dos minerais e de outros produtos transportados ao longo dos corredores constitui uma condição essencial para que estas infra-estruturas funcionem como verdadeiros corredores de desenvolvimento económico, em vez de servirem apenas como rotas de trânsito de matérias-primas.
A estratégia passa, igualmente, pelo reforço das ligações ferroviárias com outros países da África Austral, incluindo a ligação à Zâmbia e a criação de conexões que permitam aproximar o oceano Atlântico do Índico, através da integração com corredores regionais.
Mais de 1.500 quilómetros de ferrovia
No âmbito dos projectos de expansão da rede ferroviária nacional, Ricardo de Abreu destacou a preparação de um projecto de iniciativa pública para interligar as linhas ferroviárias do Malanje e do Menongue, numa extensão de 738 quilómetros.
O ministro referiu ainda outros projectos ferroviários em desenvolvimento, incluindo ligações no âmbito dos corredores Norte-Sul e de interligação regional, que, no conjunto, representam oportunidades para a construção de mais de 1.500 quilómetros de ferrovia nos próximos anos.
O responsável sublinhou que a expansão das infra-estruturas deve contribuir para a redução dos custos logísticos, o aumento da competitividade das economias africanas e a criação de empregos sustentáveis, sobretudo para a população jovem.
Ricardo de Abreu defendeu, por isso, uma maior articulação entre os governos, o sector privado, as instituições financeiras de desenvolvimento e os parceiros bilaterais e multilaterais, de modo a mobilizar recursos para projectos estruturantes e acelerar a diversificação económica do continente.





