Agroindústria e sustentabilidade orientam investimento da MG Ventures em São Tomé e Príncipe

A MG Ventures, unidade de corporate venture da Casa Mendes Gonçalves, está a apostar na transformação industrial de produtos agrícolas e no desenvolvimento de modelos de produção sustentáveis em São Tomé e Príncipe, com o objectivo de aumentar o valor acrescentado gerado localmente e reforçar a participação dos empreendedores são-tomenses nas cadeias de valor agroalimentares.…
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Entre os produtos em desenvolvimento encontram-se vinagres, incluindo vinagre de café, licores, aguardentes e molhos picantes à base de pimenta.
Economia Negócios

A MG Ventures, unidade de corporate venture da Casa Mendes Gonçalves, está a apostar na transformação industrial de produtos agrícolas e no desenvolvimento de modelos de produção sustentáveis em São Tomé e Príncipe, com o objectivo de aumentar o valor acrescentado gerado localmente e reforçar a participação dos empreendedores são-tomenses nas cadeias de valor agroalimentares.

A estratégia foi apresentada nesta Segunda-feira, 26, na Ilha do Sal, Cabo Verde, durante o Fórum de Investimento da África Lusófona, pela directora-geral da MG Ventures, Cláudia Figueira, que destacou a importância de desenvolver actividades industriais capazes de aproveitar as matérias-primas disponíveis no arquipélago, criando oportunidades de negócio, transferência de competências e diversificação da economia.

Um dos principais projectos passa pela criação de uma unidade de transformação de produtos locais, a desenvolver em parceria com empreendedores são-tomenses. A iniciativa pretende assegurar que uma parcela maior do valor económico associado à produção agrícola permaneça no país, através do processamento das matérias-primas e da criação de produtos com maior valor comercial.

Entre os produtos em desenvolvimento encontram-se vinagres, incluindo vinagre de café, licores, aguardentes e molhos picantes à base de pimenta. A empresa está igualmente a explorar o potencial de outras matérias-primas, como a baunilha, com vista à diversificação da oferta e à criação de produtos diferenciados.

A aposta na transformação local procura reduzir a dependência da comercialização de matérias-primas sem processamento, promovendo actividades que exigem maior capacidade técnica, investimento produtivo e inovação. O modelo pretende, assim, criar condições para que os recursos agrícolas sejam valorizados no próprio território, ampliando as oportunidades de geração de rendimento e de desenvolvimento empresarial.

Parceria com empreendedores locais

A participação dos são-tomenses na concepção e gestão dos projectos constitui um dos elementos centrais da abordagem defendida pela responsável da MG Ventures. A intenção é desenvolver iniciativas em conjunto com os empreendedores e as comunidades locais, privilegiando a transferência de conhecimento e a criação de competências que permitam dar continuidade aos negócios.

Esta orientação procura assegurar que os projectos não se limitem à introdução de novas actividades económicas, mas contribuam também para fortalecer a capacidade empresarial local e criar condições para uma participação mais activa dos produtores e empreendedores nas diferentes etapas da cadeia de valor.

Ao privilegiar a transformação das matérias-primas, a iniciativa procura aproximar a produção agrícola da indústria, criando oportunidades para o desenvolvimento de produtos nacionais com maior diferenciação e potencial de comercialização.

Agrofloresta regenerativa em 30 hectares

A estratégia da MG Ventures inclui igualmente uma componente de agrofloresta regenerativa, com uma área de 30 hectares destinada à experimentação de práticas produtivas que promovem a diversidade e a articulação entre agricultura e pecuária.

A iniciativa procura testar modelos que conciliem a rentabilidade económica com a utilização sustentável dos recursos naturais, integrando a protecção ambiental e o desenvolvimento das comunidades na estratégia empresarial.

A experimentação de práticas regenerativas pretende contribuir para a identificação de soluções produtivas adaptadas às condições locais, procurando compatibilizar a actividade económica com a preservação dos recursos naturais e a sustentabilidade dos sistemas agrícolas.

No plano social, a Casa Mendes Gonçalves lançou, em 2025, uma fundação enquadrada numa estratégia de continuidade e reforço do compromisso social do grupo. Durante a apresentação, Cláudia Grazina Figueira referiu a transferência progressiva de capital do sócio fundador para a instituição, sem, contudo, detalhar os termos da operação.

A iniciativa enquadra-se numa visão em que a criação de empresas e o desenvolvimento de projectos económicos devem ser acompanhados por benefícios sociais duradouros, reforçando a ligação entre investimento privado, sustentabilidade e desenvolvimento local.

Investimento com perspectiva de longo prazo

Para a directora-geral da MG Ventures, o desenvolvimento dos projectos em São Tomé e Príncipe exige uma abordagem gradual, assente na consolidação dos modelos de negócio, na construção de capacidades locais e no aproveitamento das oportunidades existentes na economia.

A perspectiva de médio e longo prazo deverá permitir testar e consolidar as iniciativas antes da expansão para novas áreas de actividade, reduzindo os riscos associados à implementação e criando bases para a continuidade dos investimentos.

A abordagem procura aproximar o investimento privado das necessidades da economia são-tomense, através da valorização dos produtos agrícolas, da qualificação dos recursos humanos e do estímulo ao empreendedorismo.

Ligada à Casa Mendes Gonçalves, grupo responsável por marcas de grande consumo como Paladin, Sacana, Moreno e Diese, a MG Ventures pretende aplicar a experiência industrial do grupo ao desenvolvimento de projectos que privilegiem a transformação local, a inovação e a sustentabilidade.

Com esta estratégia, a empresa procura contribuir para uma maior integração entre agricultura, indústria e empreendedorismo em São Tomé e Príncipe, criando condições para que os recursos existentes no país gerem mais valor económico e novas oportunidades de desenvolvimento.

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