Exclusivo: BIC equaciona fusão no mercado angolano

O Banco Internacional de Crédito (BIC) estará a equacionar uma provável fusão com outra instituição bancária a operar no mercado angolano. A análise e apreciação do "projecto de fusão" é de resto um dos pontos da agenda da próxima Assembleia-Geral de accionistas da instituição, a realizar-se a 27 deste mês. Não se sabe ao certo…
ebenhack/AP
Fonte da FORBES ÁFRICA LUSÓFONA bem posicionada na banca diz que "tudo indica que a fusão venha a se efectivar com o Banco de Negócios Internacional (BNI)", não descartando também a hipótese do BFA.
Economia

O Banco Internacional de Crédito (BIC) estará a equacionar uma provável fusão com outra instituição bancária a operar no mercado angolano. A análise e apreciação do “projecto de fusão” é de resto um dos pontos da agenda da próxima Assembleia-Geral de accionistas da instituição, a realizar-se a 27 deste mês.

Não se sabe ao certo com que instituição do sector o BIC pretende fusionar-se, mas fonte da FORBES ÁFRICA LUSÓFONA bem posicionada na banca diz que “tudo indica que venha a ser com o Banco de Negócios Internacional (BNI)”, sem descartar também a hipótese do Banco de Fomento Angola (BFA).

Um especialista em assuntos bancários e financeiros ouvido pela FORBES sobre o tema, considera que a ideia de fusão do BIC por parte da sua administração, além das vantagens que poderão advir da operação com o surgimento de uma “nova e mais forte” entidade – em termos de activos e capital, pode ser justificada ainda com as exigências da nova Lei das Instituições Financeiras e a busca pelo Banco Nacional de Angola (BNA) da equivalência de supervisão da União Europeia, que exigem dos operadores muito mais em matéria de reforço de capital, entre outras.

O expert não descarta também a ideia de a fusão poder vir a se efectivar ainda como forma de se “diluir” a exposição do BIC a empresária Isabel dos Santos, que viu os 25% de participações sociais que detém na instituição através da empresa SAR – Sociedade de Participações Financeiras e 17,5%, por intermédio da Finisantoro Holding Limited de direito maltês, serem arrestadas preventivamente, em Dezembro de 2019, por decreto do Tribunal Provincial de Luanda, em resposta à uma providência cautelar intentada pelo Serviço Nacional de Recuperação de Activos, por alegados negócios privados que terão lesado o Estado angolano em mais de mil milhões de euros.

“O triângulo nova Lei [das Instituições Financeiras], busca do banco central da equivalência de supervisão da União Europeia e o Luanda Leaks, pode também estar entre os motivos para que o BIC parta para uma fusão com um outro player do mercado nacional”, apontou.

De recordar que, em Janeiro de 2020, o consórcio de jornalistas “Luanda Leaks” revelou como alegadamente a empresária Isabel dos Santos (primogénita do antigo Presidente angolano, José Eduardo dos Santos) e o falecido marido, Sindika Dokolo, terão desviado uma fortuna do Estado angolano.

Em Dezembro do ano passado, o Governo norte-americano decidiu também impor restrições de visto a Isabel dos Santos como parte de um pacote de medidas anti-corrupção. Isabel dos Santos foi submetida a restrições “por seu envolvimento em corrupção significativa ao desviar fundos públicos para seu benefício pessoal”, disse Antony Blinken, secretário de Estado dos EUA, em comunicado divulgado a 14 de Dezembro.

Oito pontos em análise na Assembleia Geral

Entretanto, com a “análise e apreciação do projecto de fusão” estão também na ordem de trabalhos da Assembleia Geral de accionistas outros sete pontos, nomeadamente a “deliberação sobre a aplicação dos resultados do exercício de 2021”, “proceder à apreciação geral da administração e fiscalização da sociedade no exercício findo”, “apreciação das contas individuais do banco BIC, S.A. relativas ao primeiro trimestre de 2022”, a “política de remuneração do banco para o exercício em curso”, e a “recomposição dos membros dos órgãos sociais”.

O BIC terá obtido em 2021 um lucrou a ‘roçar’ os 50 mil milhões de kwanzas, cerca de 94,9 milhões de dólares, o que representa um crescimento na ordem dos 135%, face ao exercício do ano anterior [2020], em que o resultado líquido do banco que detém a maior rede de balcões no país se cifro na casa dos 21 mil milhões de kwanzas, aproximadamente 49 milhões de dólares.

Mais Artigos