A plataforma etíope Lersha, que liga agricultores a serviços financeiros e mercados, conquistou o “Prémio de Excelência do Júri” dos Africa Sustainable Futures Awards, iniciativa do Financial Times e da Agência Multilateral de Garantia de Investimentos (MIGA), do Grupo Banco Mundial, que distingue soluções empresariais inovadoras para os desafios de desenvolvimento do continente africano.
Na terceira edição da premiação, que recebeu quase 600 candidaturas, foram seleccionados 18 projectos finalistas em áreas como energia, infra-estruturas, agronegócio e manufactura.
Os vencedores foram anunciados durante um jantar de gala realizado em Londres, a 22 de Outubro, no encerramento do Africa Summit, encontro de dois dias que reuniu representantes de governos africanos, empresas e líderes do sector financeiro.
A distinção atribuída à Lersha mostra a importância crescente de modelos empresariais que procuram aproximar os pequenos produtores agrícolas dos mercados e dos serviços financeiros, contribuindo para melhorar o acesso a oportunidades comerciais e reforçar a resiliência das economias locais. A empresa opera na Etiópia, no Quénia e no Uganda.
Na categoria de “Acesso à Energia”, a vencedora foi a CrossBoundary Energy, da República Democrática do Congo, enquanto a tanzaniana Lean Energy recebeu uma menção honrosa. Em Infra-estruturas Críticas, excluindo energia, o prémio foi atribuído ao nigeriano Heirs Insurance Group, com a TowerCo of Africa a receber uma menção honrosa pelas suas operações no Madagáscar, na Tanzânia, no Uganda e na República Democrática do Congo.
No Agronegócio, a Lersha foi a vencedora, enquanto a Keep IT Cool, presente no Quénia, no Uganda e na Tanzânia, recebeu uma menção honrosa. Na categoria “Destaques na Manufactura”, o prémio coube à queniana Roam Air. Já na “Mostra de Inovação”, que destaca ideias com potencial de impacto transformador, a vencedora foi a Zerobionic, com presença no Quénia, na Namíbia, na Etiópia e no Ruanda.
A repetição da Lersha entre os vencedores do Agronegócio e do prémio geral do júri coloca a empresa em destaque nesta edição, reconhecendo tanto a sua área de actuação como a avaliação global do júri. A lista de premiados reflecte a diversidade de soluções desenvolvidas por empresas africanas em sectores essenciais para a transformação económica do continente.
Segundo David Pilling, editor para África do Financial Times e copresidente do júri, citado numa nota enviada à FORBES ÁFRICA LUSÓFONA, os projectos distinguidos demonstram os níveis de inovação e capacidade empreendedora necessários para responder aos desafios mais urgentes do continente. O responsável salientou igualmente a importância das novas tecnologias, sem desvalorizar o empreendedorismo e a visão de longo prazo.
Por sua vez, Ed Mountfield, vice-presidente e director financeiro da MIGA e co-presidente do júri, destacou o papel do sector privado na resposta aos desafios do desenvolvimento, através da criação de emprego e de oportunidades económicas. Para o responsável, as empresas reconhecidas demonstram como o investimento, o empreendedorismo e a viabilidade comercial podem contribuir para a resiliência económica e o crescimento sustentável.
O júri integrou representantes de instituições de investimento, financiamento ao desenvolvimento, capital de risco e organizações internacionais, incluindo a British International Investment, a Capria Ventures, o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), a Africa50, a Norrsken22 e a International Finance Corporation (IFC), além dos co-presidentes da iniciativa.
A premiação procura dar visibilidade a empresas e projectos que conciliam inovação, desempenho comercial e impacto no desenvolvimento, num contexto em que a criação de empregos de melhor qualidade e o reforço das economias locais assumem importância crescente nas prioridades económicas africanas.





