Angola está a recuperar confiança, a diversificar a sua capacidade de atracção de capital e a criar uma base cada vez mais sólida para novos investimentos produtivos, garantiu esta Quinta-feira, 18, em Luanda, o ministro do Turismo.
Márcio Daniel, que falava na abertura do Angola Investiment Summit 2026, durante anos, Angola enfrentou um ciclo desafiante na captação de investimento directo estrangeiro, assegurando que esse ciclo começou a mudar.
“Em 2024, o país registou cerca de 9,8 mil milhões de dólares em entradas brutas de investimento estrangeiro, e os dados mais recentes de 2025 evidenciam o regresso das captações líquidas positivas”, recordou.
No sector não petrolífero, segundo informou, o investimento cresceu de 353,5 milhões de dólares em 2024 para 564,8 milhões de dólares em 2025, um crescimento próximo dos 60%.
“Angola não quer apenas dizer que tem potencial. O país quer mostrar onde estão as oportunidades, quais são os activos, quais são os projectos, quais são as zonas prioritárias e como o investidor pode participar. Ainda assim, a hospitalidade, o turismo e os ecossistemas de bem-estar representam cerca de 3% do total do investimento directo estrangeiro não petrolífero. Para alguns, este número poderia parecer uma limitação. Para nós, é exactamente o contrário. É a evidência de uma oportunidade, mostra que Angola está ainda numa fase inicial do ciclo de investimento turístico, mostra que existe espaço para crescimento, valorização e entrada de novos operadores, mostra que há uma janela aberta para investidores que queiram entrar antes da maturação plena do mercado”, detalhou.
As referências internacionais para projectos turísticos sustentáveis bem estruturados em África, avançou o ministro angolano, indicam retornos atractivos em determinados segmentos, frequentemente na ordem dos 15% a 20%.
“Mas mais importante do que a taxa de retorno isolada é a combinação que Angola oferece activos naturais, prioridade política, necessidade de infra-estrutura, mercado por estruturar, conectividade em expansão e uma ambição clara de diversificação económica. Muitos países com menos recursos naturais, menos território, menos diversidade e menos autenticidade do que Angola conseguiram transformar o turismo numa grande indústria nacional. Não o fizeram por acaso. Fizeram-no porque houve visão, investimento, coordenação e decisão”, precisou.
Angola, uma nação lusófona aberta ao investimento
Angola está a criar as condições, mas deseja ter parceiros que ajudem a transformar oportunidade em realidade, considerando o turismo mais do que uma nova fonte de crescimento.
Márcio Daniel disse que isto é uma forma de mostrar dar a conhecer Angola ao mundo para transformar território em prosperidade, gerando orgulho, emprego, dignidade e futuro.

“Tenho dito que o turismo é o petróleo verde de Angola. Uma riqueza renovável, que não se esgota quando é bem gerida. Pelo contrário, cresce quanto mais investimos nela, quanto mais a protegemos, quanto mais a qualificamos e quanto mais a partilhamos com o mundo. E se hoje podemos falar do turismo com este nível de ambição, é porque existe uma orientação política clara”, sustentou.
O governante afirmou ainda que a transformação de um sector como o turismo exige visão, mas exige também coragem de olhar para além dos sectores tradicionais da economia nacional, de investir em novas fontes de crescimento e exige coragem de abrir caminho para que Angola seja reconhecida não apenas pelos recursos que possui, mas pela capacidade de transformar esses recursos em prosperidade para o seu povo.
Por outro lado, Maarcio Daniel descreveu que, em 2025, as viagens e o turismo contribuíram com mais de 11,5 biliões de dólares para a economia global, sendo que perto de um em cada dez dólares gerados no mundo está ligado ao turismo.
No ano passado, apontou, um em cada três novos empregos criados a nível global veio da indústria do turismo, realçando que esta já não é uma indústria secundária, mas um dos motores mais poderosos de crescimento inclusivo, desenvolvimento territorial e projecção internacional.
“Até 2035, estima-se que o valor global do sector possa atingir cerca de 16,5 biliões de dólares.Angola está numa fase inicial do seu ciclo de desenvolvimento turístico. Isso significa que o mercado ainda não está saturado, os activos ainda têm margem de valorização, os destinos ainda estão em construção e os investidores que entrarem agora poderão participar na definição daquilo que Angola será nas
O Executivo angolano, segundo considerou, tem vindo a criar as bases para transformar lugares de grande beleza em destinos com capacidade real de atrair investimento.
“Estão aprovados investimentos superiores a 500 milhões de euros em infra-estruturas integradas nos principais pontos turísticos do país. Estes investimentos são fundamentais para melhorar acessos, qualificar zonas turísticas, criar condições de recepção, estruturar produtos e tornar os activos turísticos de Angola mais competitivos, mais acessíveis e mais atractivos para o capital privado”, sinalizou.
Nos últimos dois anos, Angola deu passos importantes nesta direcção. Nasceu a marca Visit Angola, que projecta o país a partir da sua identidade, do seu ritmo, das suas cores e do seu orgulho.
Nasceu ainda a marca Meet in Angola, posicionando o país para competir no segmento de eventos, conferências e turismo de negócios. Entrou em funcionamento igualmente o Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto, uma infra-estrutura estratégica para a conectividade aérea do país.





