A tendência decrescente que a inflação em Angola tem registado continuou a ser verificada no mês de Julho, tendo se fixado nos 21,40%, o que corresponde a uma descida de 4,32 pontos percentuais (pp) em relação ao período homólogo, o que acontece pela sétima vez consecutiva e representa o nível mais baixo desde o mês de Abril de 2020.
Os dados constam do relatório mensal do Instituto Nacional de Estatística de Angola (INE), consultado pela FORBES ÁFRICA LUSÓFONA. O documento dá ainda conta de uma variação de 0,81% do Índice de Preço no Consumidor Nacional (IPCN) de Junho a Julho, uma desaceleração de 0,03 pp em termos mensais.
Ouvido pela FORBES, o economista Augusto Fernandes, disse que esta tendência decrescente significa que o trabalho levado a cabo pelo Executivo para o controle da inflação está a surtir os seus efeitos. “Sabemos que houve aqui uma combinação de medidas internas e factores de externalidades positivas externa que levaram com que a tendência inflacionária fosse freada e começasse um ciclo de diminuição da inflação”, afirmou.
Augusto Fernandes considera ter sido feito “um trabalho árduo que foi feito nos últimos meses”, defendendo que tal deve continuar, nos próximos tempos, “para que as famílias angolanas não voltem a passar, novamente, por estes momentos dolorosos que é a redução do poder de compra dos salários”.
O especialista indicou como medidas internas que terão influenciado o controlo da subida dos preços no país a criação da reserva estratégica alimentar, isenção dos direitos aduaneiros e portuários dos produtos da cesta básica e, a nível internacional, o aumento do preço do barril de petróleo no mercado.
Olhando para o significado concreto da redução da inflação para o mercado, Augusto Fernandes explica que “consegue melhorar o poder de compra das famílias, consegue aumentar a quantidade de comida à mesa das famílias, o que faz com que haja um maior nível de felicidade, entre as famílias angolanas e um nível de satisfação bem maior”.
Segundo o relatório do INE, “Alimentação e bebidas não alcoólicas” foi a classe que mais contribuiu para o aumento do nível geral de preços, com 0,36 pp no mês de Julho, se comparado ao mês anterior, seguida pela “Educação” com 0,08 pp, “Bens e Serviços” (0,07 pp), “Vestuário e Calçado”, “Saúde” e “Mobiliário, equipamento doméstico e manutenção” com 0,06 pontos percentuais cada, tendo as outras classes contribuído com valores inferiores a 0,06 pp.
Quanto ao aumento mensal de preços, de acordo ainda com o documento, o destaque recai para a classe “Educação”, com uma variação de 3,50% em Julho, face ao mês anterior. “Vestuário e Calçados” com 1,68%, “Saúde” (1,64%) e “Bebidas Alcoólicas e tabaco” (1,40%) são as outras classes que também se destacaram.





