O investimento global em hidrocarbonetos pode atingir 580 mil milhões de dólares este ano, o que representa um aumento de 11% em relação ao ano de 2023, de acordo com o estudo Oil & Gas Industry Outlook 2024 da Deloitte, divulgado esta Segunda-feira, 29.
A estimativa, aponta a projecção, é que sejam gerados mais de 800 mil milhões de dólares em fluxos de caixa livres ao longo do ano. Em termos económicos, a Deloitte considera que qualquer flutuação do dólar americano com relação a outras moedas, combinado com a trajectória da actividade industrial e consumo da sociedade civil, poderá ter impacto na inflação, influenciando assim também os preços da energia em 2024.
Num comunicado enviado à FORBES ÁFRICA LUSÓFONA, a Deloitte adverte, no entanto, que a solidez financeira da indústria implica expectativas elevadas por parte dos investidores, reguladores e de outros stakeholders, que esperam avanços na redução de emissões, o reforço do investimento em energias de baixo carbono e ganhos mais elevados para os accionistas.
Entretanto, o estudo sublinha que “este cenário promete ser um catalisador para que a indústria se foque ainda mais na redução de emissões e no desempenho económico”. Relativamente ao contexto da indústria em Angola, o partner da Deloitte para o sector de Energia, Recursos e Indústria, Frederico Martins Correia, refere que o ano de 2024 deverá ser de consolidação.
“A saída da OPEP permite manter o objectivo de incremento de produção e superar o valor médio de 1,2 M barris/dia. Por outro lado, apesar de os investimentos no sector estarem a ser muito escrutinados, a ANPG [Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis] tem garantido contratos chave para o sector em novos campos offshore, onshore e campos marginais de actuais concepções”, argumentou o responsável.
Por último, segundo concluiu Frederico Martins, o Orçamento Geral do Estado para 2024 foi realizado com base no preço referência do Brent inferior a 70 USD, o que dá alguma tranquilidade em relação a possíveis flutuações.
O estudo, que assegura que a indústria global de petróleo e gás teve um arranque sólido em 2024, “impulsionado pela robustez financeira e pelos elevados preços do petróleo”, destaca ainda as cinco tendências que poderão desempenhar um papel crucial na definição das estratégias e das prioridades das empresas de petróleo e gás em 2024.
De acordo com a Deloitte, as prioridades das operadoras do sector passam pela transição energética; minerais críticos; comércio global de energia; investimento em tecnologia; e pelo subsector refinação e distribuição.
A consultora diz ainda que o ano de 2024 poderá ser “muito dinâmico” do ponto de vista das fusões e aquisições na indústria de petróleo e gás. “As propostas de aquisição da Pioneer Natural Resources pela ExxonMobil e da Hess Corp pela Chevron Corporation, por 64,5 mil milhões de dólares e 60 mil milhões de dólares, respectivamente, podem dar início a uma nova era de meganegócios e de consolidação na indústria, em particular na vertente mais petrolífera”, perspectiva.
Acrescenta igualmente que o preço actual do petróleo e do gás e o número limitado de projectos de perfuração a nível global podem levar alguns grandes compradores a adquirir novas áreas e a procurar melhorar a eficiência operacional, através de fusões e aquisições.
“Paralelemente, as incertezas regulamentares e geopolíticas, combinadas com os elevados custos de capital, podem atrasar algumas decisões de investimento a nível global”, admite o estudo.





