O Ministério do Turismo (MINTUR) e o Standard Bank de Angola (SBA) assinaram, nesta Sexta-feira, 29 de Maio, um Memorando de Entendimento destinado a impulsionar o turismo interno através de mecanismos de financiamento, capacitação empresarial e novas soluções de pagamento para os cidadãos.
A iniciativa pretende aproximar o sector turístico do sistema financeiro nacional e reforçar o seu contributo para a diversificação económica do país.
O acordo, celebrado no Auditório Saydi Mingas, no Museu da Moeda, em Luanda, foi assinado pelo presidente da Comissão Executiva do Standard Bank de Angola, Luís Teles, e pela directora-geral do INFOTUR – Instituto de Fomento do Turismo, Allicia Santos, na presença do ministro do pelouro, Márcio Daniel, e do vice-governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Domingos Pedro.
Mais do que uma parceria institucional, o memorando representa uma tentativa de resolver um dos principais constrangimentos do sector: a limitada integração financeira da actividade turística.
Ao facilitar o acesso ao crédito para operadores e criar soluções de pagamento flexíveis para os consumidores, o Executivo procura transformar o turismo num instrumento efectivo de crescimento económico, geração de emprego e dinamização da economia local.
Durante a cerimónia, o ministro do Turismo, Márcio Daniel, defendeu que o sector deve assumir um papel mais relevante na economia nacional. “O turismo deve deixar de ser encarado apenas como um sector de promoção de potencialidades, passando a afirmar-se como um verdadeiro instrumento económico e social”, afirmou.
Segundo o governante, um dos desafios mais significativos continua a ser a elevada sazonalidade da procura, que concentra grande parte da actividade turística nos períodos de feriados prolongados. Para responder a essa realidade, a parceria prevê a implementação da iniciativa “Travel Now, Pay Later – Viaje Agora, Pague Depois”, permitindo aos cidadãos distribuir os custos das viagens ao longo do tempo e incentivando uma procura mais regular durante o ano.
“O modelo actual pretende tornar o turismo mais acessível para os cidadãos, mais sustentável para os operadores e mais relevante para a economia nacional”, sublinhou Márcio Daniel.
O ministro reconheceu igualmente os desafios enfrentados pelas empresas do sector, observando que muitos operadores continuam a desenvolver a sua actividade em condições adversas, marcadas por limitações operacionais e estruturais.
Do lado da banca, o presidente da Comissão Executiva do Standard Bank de Angola reafirmou o compromisso da instituição com o desenvolvimento sustentável do país e destacou o potencial económico da indústria turística. Para Luís Teles, trata-se de um sector com capacidade para gerar emprego, estimular investimento privado e criar efeitos multiplicadores em diversas cadeias produtivas, justificando uma maior participação do sistema financeiro no seu crescimento.
Na prática, os operadores turísticos passarão a beneficiar de condições mais favoráveis de acesso ao financiamento para aquisição de viaturas, equipamentos, activos turísticos e reforço de capital circulante. Paralelamente, a introdução de soluções de pagamento parcelado e de mecanismos digitais deverá facilitar as transacções, melhorar a experiência dos clientes e contribuir para o aumento das vendas.
As empresas abrangidas pela iniciativa terão ainda acesso a maior visibilidade comercial, através da integração no ecossistema Visit Angola – The Rhythm of Life e dos canais de comunicação do próprio Standard Bank de Angola.
A formalização desta parceria assinala o início de uma estratégia mais ampla de aproximação entre o sector do turismo e a banca. A expectativa do Executivo é que outras instituições financeiras e parceiros estratégicos venham a aderir progressivamente à iniciativa, reforçando não apenas a promoção internacional do destino Angola, mas também a sustentabilidade e expansão do turismo interno.
Num contexto em que Angola procura acelerar a diversificação da sua base económica e reduzir a dependência das receitas petrolíferas, o fortalecimento do turismo surge como uma das apostas mais promissoras. Contudo, a materialização desse potencial dependerá da capacidade de mobilizar financiamento, melhorar infra-estruturas e estimular uma procura interna mais consistente, factores que esta parceria pretende começar a endereçar.





