Apesar de ter reconhecido os efeitos da subida de preços no poder de compra, o Primeiro-ministro cabo-verdiano afastou neste Domingo, 29, a possibilidade de aumentos salariais, face à quebra nas receitas do Estado e ao crescimento da despesa para conter a inflação.
“Quando temos todas estas prioridades, não creio que possamos colocar, dar prioridade, à actualização salarial. Virá no seu tempo, quando podermos acomodar essas despesas adicionais”, afirmou Ulisses Correia e Silva, numa entrevista coletiva a vários órgãos de comunicação social, em Cabo Verde, na cidade da Praia.
O líder do executivo salientou que, devido à pandemia da Covid-19 e aos efeitos da crise da guerra na Ucrânia, as finanças públicas estão “fortemente atingidas” por uma quebra de receitas e por um aumento de despesas que estão vocacionadas e priorizadas para a protecção.
“Proteção social, proteção dos mais pobres, para a inclusão, o que exige avultados recursos […] entre a protecção e mitigação do efeito da alta de preços de produtos alimentares e combustíveis, estamos a falar de Abril a Dezembro de mais de cinco milhões de contos [mais de 45 milhões de euros]”, apontou.
Os preços em Cabo Verde aumentaram 0,1% no mês de Abril e acumulam uma subida de 7,6% no espaço de um ano, indicam dados do Instituto Nacional de Estatísticas (INE) local, de 16 de Maio.
“Não há dúvida que a inflação faz quebrar o poder de compra. Aquilo que nós estamos a fazer é que estamos a acomodar uma grande parte dessa inflação, não a transferindo diretamente para as empresas e para os cidadãos”, reconheceu o chefe do Governo.
Cabo Verde não possui capacidade de refinação e importa todos os produtos petrolíferos de que necessita – cerca de 80% da produção de electricidade é garantida por centrais a gasóleo ou fuelóleo -, bem como 80% dos alimentos, devido à seca que o arquipélago vive há mais de três anos.
O gasóleo e a gasolina em Cabo Verde aumentaram quase 9% no dia 01 de Maio, o limite definido pelo Governo, que suspendeu no final de Março o mecanismo de fixação de preços máximos ao consumidor devido à escalada de preços dos combustíveis no mercado internacional, decisão que implicou ainda, este mês, o congelamento do preço do gás butano, tal como em abril.
Já as tarifas da electricidade, igualmente condicionadas pelos preços dos combustíveis, aumentaram em média 30% em Outubro passado.
O país registou em 2020 uma recessão económica histórica, equivalente a 14,8% do PIB, e um crescimento económico de 7% em 2021, impulsionado pela retoma da procura turística no quarto trimestre.
Com Lusa





