Na sequência das medidas sancionatória dos Estados Unidos da América (EUA) e do Reino Unido sobre a Rússia, o ministro angolano dos Recursos Minerais, Petróleos e Gás, Diamantino de Azevedo, disse, esta Terça-feira, 12, que o Executivo adoptou medidas para minimizar o efeito das sanções sobre a gigante da mineração russa, Alrosa, que participa nos principais projectos diamantíferos em Angola.
A diamantífera estatal russa, que explora a mina de Catoca, principal fornecedora de diamantes em Angola, em parceria com a Endiama, e participa também na concessão do projecto mineiro de Luaxi, foi alvo de sanções por parte dos EUA e do Reino Unido, como consequência da invasão russa à Ucrânia.
Segundo a Lusa, esta Terça-feira, durante um encontro com jornalistas em Luanda, para assinalar a abertura das Jornadas do Mineiro, responsáveis angolanos desvalorizaram o impacto destas decisões, garantindo que foram adoptadas medidas para minimiza-las sobre as operações mineiras no país.
“Não estamos dependentes da Alrosa para desenvolver Catoca e Luaxi”, disse o ministro Diamantino Azevedo, indicando que o projecto mineiro já iniciou a fase de produção experimental.
O governante valorizou a “capacidade” dos recursos [humanos] angolanos, “que tem demonstrado estar preparados para atender as necessidades da indústria mineira”, e adiantou que existe um plano de acção.
“Quando se iniciou esta situação entre a Ucrânia e Rússia, tomámos medidas preventivas, vimos quais os cenários possíveis e estamos a trabalhar para, perante os factos, podermos implementar os cenários previstos”, salientou.
Por sua vez, o presidente da diamantífera estatal angolana, Endiama, Ganga Júnior, sem detalhar, reforçou que foram tomadas algumas medidas no sentido de as sanções não se reflectirem negativamente na produção angolana, mas salientou que se assiste neste momento a uma fraca procura no mercado de diamantes, com implicações na descida dos preços.
“A situação não esta fácil e não se limita a Catoca, mas a todo o mercado de diamantes”, frisou o gestor, tendo admitido também que existem dificuldades relacionadas com operações bancárias, designadamente salários pagos a funcionários russos da Alrosa.
“As operações de transferência para a Rússia não as conseguimos fazer, estão a ser utilizados outros caminhos”, afirmou, sem especificar.
A Rússia lançou em 24 de Fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos, até ao momento, pouco mais de 1.842 civis, incluindo 148 crianças, e feriu 2.493, entre os quais 233 menores, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.





