O stock de crédito à economia cabo-verdiana aumentou 6,6% no ano passado, para um recorde de 1.264 milhões de euros, indicam dados do banco central do país.
O relatório estatístico do Banco de Cabo Verde disponível no seu website não anexa as explicações sobre a subida de 6% dos empréstimos à banca cabo-verdiana, mas refere que o total do crédito à economia do arquipélago – empréstimos bancários e stock de dívida titulada no mercado primário – situava-se, no final de 2020, em mais de 1.185 milhões de euros e em 2019, antes da pandemia da Covid-19, nos 1.141 milhões de euros.
Se a comparação for feita tendo como base o período anterior à pandemia, isto é, final de 2019, o crédito à economia em Cabo Verde aumentou quase 11% até final de 2021, conforme os dados do BCV.
Já no final de 2021, 91,5% do total de crédito à economia cabo-verdiana era relativa a empréstimos dos bancos, no valor de 1.156 milhões de euros, precisamente 128.078 milhões de escudos, a moeda local.
Cabo Verde enfrenta uma profunda crise económica e financeira, decorrente da forte quebra na procura turística – sector que garante 25% do Produto Interno Bruto (PIB) do arquipélago – desde Março de 2020, devido à pandemia da Covid-19, tendo lançado desde então várias linhas de crédito com garantia do Estado de mais de 4.000 milhões de escudos (36 milhões de euros), para financiar a actividade das empresas, autarquias e famílias.
Essas linhas de crédito, com taxa de juro preferencial até 3% e garantia do Estado até 80%, beneficiaram 633 empresas privadas e “preservaram 13.300 postos de trabalho” durante a pandemia, segundo informação anterior do Ministério das Finanças, citada pela Lusa.
Também no ano passado, a economia cabo-verdiana cresceu 7%. Devido às consequências económicas da guerra na Ucrânia o Governo reviu a previsão de crescimento para 2022 em baixa, dos anteriores 6% para 4%, após uma recessão histórica de 14,8% em 2020.
Entretanto, o Plano de Retoma da economia do país no pós-pandemia citada igualmente pela Lusa, prevê mais 82 milhões de euros de linhas de crédito às empresas, com taxas de juro de até 3,5%.
Este plano governamental projecta ainda, entre várias medidas, que as pequenas empresas obtenham financiamentos individuais de até 25.228 mil euros, as médias empresas até 456 mil euros e as grandes empresas até 913 mil euros.
Os apoios à retoma da actividade empresarial em Cabo Verde preveem a modalidade da suspensão do pagamento de contribuições sociais por seis meses e a “renegociação desses valores ao sétimo mês”.





