O Presidente angolano, João Manuel Gonçalves Lourenço, disse nesta Segunda-feira, 28, em Madrid, em jeito de balanço, que nos primeiros quatro anos do seu mandato – feitos a 26 de Setembro – foram dados passos importantes para a construção de uma nova Angola: “um país mais transparente, de concorrência leal nos negócios e com ambiente de negócios cada vez mais amigo do investidor”.
Falando no almoço que lhe foi oferecido por Sua Majestade o Rei Felipe VI, no quadro da visita de Estado ao Reino de Espanha, João Lourenço referiu que o novo quadro vem-se consolidando com a tomada de medidas com as quais se pretende repor a autoridade das instituições do Estado, tornando Angola num país mais atractivo, como destino turístico, e mais seguro para o investimento privado.
“Temos igualmente trabalhado e aprovado medidas no sentido da diversificação da economia, especificamente com o desenvolvimento de outros sectores além do petrolífero, da redução de importações de bens essenciais, do aumento da oferta de bens de produção nacional exportáveis, bem como da criação de emprego”, acrescentou.
Com isso, afirma o estadista, Angola tem redobrado esforços no sentido da criação de mecanismos e incentivos que encorajem os empresários estrangeiros a investir em diversos sectores da economia local. A ocasião foi aproveitada pelo líder angolano para dizer ao Rei de Espanha que “o mercado angolano está aberto a uma maior presença de empresários e homens de negócios espanhóis”, no sentido de se edificar, na prática, uma base de cooperação mutuamente vantajosa para ambos os povos e países.
“Pretendemos, com esta visita, estabelecer uma verdadeira parceria estratégica com o vosso país, reforçando os laços de amizade e de cooperação em importantes domínios da nossa economia, com destaque para a política, educação, agricultura, energia, construção civil, pescas, saúde, defesa e segurança, e outros”, indicou o político.
Angola quer experiência de Espanha para retomar crescimento
João Lourenço não escondeu a pretensão do seu Executivo de contar com o apoio e experiência de Espanha – uma das mais importantes economias da União Europeia – para que Angola volte a trilhar o caminho do crescimento e desenvolvimento, “freado pela crise da Covid-19, que trouxe consigo a pior recessão económica jamais vivida pelo mundo”.
Lembrou que, durante a visita a Luanda de Pedro Sánchez, chefe do governo espanhol, foram passadas em revista questões ligadas aos diversos domínios da cooperação entre os dois países e assinados alguns acordos e memorandos, em que se destacam o Acordo de Promoção e Protecção Recíproca de Investimentos, facto que, considerou, proporcionará um ambiente empresarial mais atractivo, susceptível de facilitar a mobilização de empresas nos dois sentidos e promover investimentos que servirão de alavanca para fortalecer as relações bilaterais de amizade e de cooperação.
“Nesta conformidade, gostaria de reforçar a necessidade de estabelecermos uma parceria estratégica que ultrapasse a esfera meramente económica e empresarial, mas que se alargue e se reforce ao nível das consultas políticas, diplomáticas e a trocas de informação e experiências em vários domínios da vida dos nossos países”, frisou, enfatizando que “gostaríamos de poder contar com o vosso país, para a mobilização de financiamentos e de investidores da Europa, interessados em investirem em Angola nos mais diferentes sectores da nossa economia”.
A Covid-19 não passou à margem no discurso do Chefe do Executivo angolano. De acordo com Presidente angolano, a pandemia provocada pelo novo coronavírus tem mostrado ao mundo que não existe sistemas de saúde suficientemente estruturados, organizados e capazes de enfrentar uma enfermidade de tão rápida propagação e contágio. De igual modo, prosseguiu, não há sistemas financeiros preparados para resistir, por muito tempo, às restrições que os governos foram obrigados a aplicar na tentativa de combater de forma eficaz o vírus SARS-CoV-2 e reduzir de forma significativa o forte impacto que tem sobre a saúde humana e sobre a economia.





