Presidente interina de Cabo Verde defende integração económica e maior mobilização de investimentos na África Lusófona

A Presidente da República interina de Cabo Verde, Janira Hoffer Almada, defendeu, esta Segunda-feira, na Ilha do Sal, a necessidade de reforçar a integração económica entre os países da África Lusófona, através da mobilização de investimentos, do desenvolvimento de infra-estruturas e da criação de cadeias de valor capazes de gerar mais oportunidades para as empresas…
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Ao discursar na abertura do Fórum de Investimento da África Lusófona, Janira Almada considerou essencial investir em transportes eficientes, energia fiável, infra-estruturas digitais e procedimentos que facilitem o comércio e reduzam os custos das transacções.
Economia

A Presidente da República interina de Cabo Verde, Janira Hoffer Almada, defendeu, esta Segunda-feira, na Ilha do Sal, a necessidade de reforçar a integração económica entre os países da África Lusófona, através da mobilização de investimentos, do desenvolvimento de infra-estruturas e da criação de cadeias de valor capazes de gerar mais oportunidades para as empresas e as populações.

Ao discursar na abertura do II Fórum de Investimento da África Lusófona, a governante destacou os corredores económicos, o agronegócio e o turismo sustentável como três eixos estratégicos para ampliar a criação de valor nas economias participantes e promover um desenvolvimento mais inclusivo e duradouro.

Segundo Janira Hoffer Almada, os corredores económicos devem ir além da ligação física entre territórios, contribuindo para aproximar centros de produção e consumo, estimular a transformação local dos recursos e aumentar a competitividade das empresas. Para concretizar esse objectivo, considerou essencial investir em transportes eficientes, energia fiável, infra-estruturas digitais e procedimentos que facilitem o comércio e reduzam os custos das transacções.

No caso de Cabo Verde, a Presidente da República interina salientou que a conectividade entre as ilhas constitui uma dimensão fundamental da integração económica, permitindo melhorar a circulação de mercadorias e pessoas e ampliar as oportunidades de negócio.

Agronegócio e turismo como motores de crescimento

A responsável apontou o agronegócio como um sector com potencial para ganhar escala e valor acrescentado, desde que sejam reforçados os investimentos na gestão da água, transformação, armazenamento e conservação dos produtos.

Na sua perspectiva, a melhoria destas condições poderá aumentar a produtividade agrícola e permitir que os produtores participem de forma mais vantajosa nas cadeias de abastecimento.

A ligação entre a produção local e o turismo foi igualmente destacada como uma oportunidade concreta para dinamizar a agricultura, as pescas e os serviços. A Presidente da República interina defendeu que a procura do sector hoteleiro deve ser aproveitada para fortalecer os fornecedores locais, mediante garantias de qualidade, regularidade no fornecimento e relações comerciais previsíveis.

Como exemplo, referiu a possibilidade de a produção de uma ilha abastecer unidades hoteleiras de outra, demonstrando como a articulação entre sectores pode ampliar os benefícios económicos do turismo e fazer com que uma parcela maior do valor gerado permaneça nas economias nacionais.

Relativamente ao turismo sustentável, Janira Hoffer Almada considerou que o património cultural, a biodiversidade e a hospitalidade das comunidades constituem activos estratégicos para diferenciar os destinos da África Lusófona e desenvolver uma oferta turística de maior valor acrescentado.

A concretização desse potencial, observou, exige investimentos na qualificação profissional, na integração de fornecedores locais e na preservação dos recursos naturais e culturais. A gestão da água, a protecção dos ecossistemas, a melhoria dos serviços públicos e a valorização da criação artística também foram apontadas como condições para assegurar a sustentabilidade dos destinos.

Financiamento adequado e mobilização de capital privado

A mobilização de financiamento para projectos estruturantes constituiu outro dos pontos centrais do discurso. A governante defendeu a preparação rigorosa dos projectos, com estudos de viabilidade económica, avaliação dos impactos ambientais e sociais e capacidade efectiva de execução.

Neste processo, atribuiu às instituições financeiras de desenvolvimento um papel decisivo na conjugação de assistência técnica, capital de longo prazo e mecanismos de partilha de riscos, de modo a facilitar a concretização de investimentos nos mercados lusófonos.

A utilização de recursos públicos para atrair capital privado, acrescentou, deve obedecer a objectivos claros de desenvolvimento, transparência e prudência orçamental. Nas parcerias público-privadas, considerou fundamental definir com rigor as responsabilidades e os encargos de cada interveniente, protegendo a confiança dos investidores e o interesse público.

Janira Hoffer Almada chamou igualmente a atenção para a necessidade de adequar os instrumentos financeiros às características e vulnerabilidades de cada país, sobretudo dos pequenos Estados insulares, cujos desafios nem sempre são devidamente reflectidos pelos indicadores tradicionais de rendimento.

Neste contexto, defendeu a aplicação do Índice de Vulnerabilidade Multidimensional e do Compromisso de Sevilha, adoptado em 2025, como instrumentos para reforçar o financiamento ao desenvolvimento e promover uma arquitectura financeira internacional mais ajustada às necessidades dos países vulneráveis.

Energias renováveis, juventude e diáspora

A energia foi identificada como um factor determinante para a transformação produtiva, a industrialização, a conservação dos alimentos e a competitividade empresarial. A responsável salientou que os investimentos em energias renováveis, redes de distribuição e sistemas de armazenamento devem reforçar a segurança energética e criar condições para a expansão da actividade económica, incluindo nas comunidades mais afastadas.

A Presidente da República interina defendeu ainda o alargamento do acesso das mulheres e dos jovens à formação profissional, ao financiamento e aos mercados, considerando que a participação destes grupos pode fortalecer o tecido empresarial e ampliar o alcance social do crescimento económico.

A diáspora foi igualmente apontada como um parceiro estratégico para o desenvolvimento da região, através da mobilização de capital, da transferência de competências, do estabelecimento de redes profissionais e da aproximação das empresas a novos mercados.

Para a governante, a participação das comunidades emigradas deve ser apoiada por instrumentos credíveis e relações de confiança, de modo a transformar o seu potencial económico em oportunidades concretas de investimento e cooperação.

Fórum deve produzir projectos concretos

Ao abordar os resultados esperados do encontro, Janira Hoffer Almada defendeu que o II Fórum de Investimento da África Lusófona deve produzir projectos devidamente preparados, parcerias comerciais consistentes e mecanismos de acompanhamento capazes de transformar contactos em realizações.

A responsável manifestou a expectativa de que, na próxima edição do evento, seja possível identificar investimentos concretizados, fornecedores integrados em novas cadeias de valor e oportunidades que tenham produzido benefícios directos para as populações.

A governante convidou os investidores a aprofundarem o conhecimento das economias lusófonas e a estabelecerem parcerias duradouras, apelando igualmente às instituições financeiras e aos parceiros de desenvolvimento para mobilizarem instrumentos adequados à dimensão das oportunidades e à natureza dos desafios existentes.

Na sua intervenção, reiterou que o objectivo comum deve ser transformar o capital mobilizado em capacidade produtiva permanente, emprego digno e prosperidade partilhada.

Com este apelo à cooperação económica, ao investimento sustentável e ao reforço das relações entre os países lusófonos, Janira Hoffer Almada declarou formalmente aberto o II Fórum de Investimento da África Lusófona, em Cabo Verde.

 

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