Confederação Empresarial da CPLP prepara plataforma para identificar projectos de investimento

A Confederação Empresarial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) prevê lançar, ainda este ano, uma plataforma de informação empresarial destinada a facilitar o registo de empresas, a apresentação de ideias de negócio e a identificação de projectos com potencial de financiamento. O anúncio foi feito nesta Segunda-feira pela presidente da organização, Nelma Fernandes,…
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Presidente da organização, Nelma Fernandes, enfatizou a certificação dos produtos como um dos factores necessários para aumentar as trocas comerciais entre os países da comunidade e facilitar o acesso a mercados internacionais, incluindo o europeu.
Economia Negócios

A Confederação Empresarial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) prevê lançar, ainda este ano, uma plataforma de informação empresarial destinada a facilitar o registo de empresas, a apresentação de ideias de negócio e a identificação de projectos com potencial de financiamento.

O anúncio foi feito nesta Segunda-feira pela presidente da organização, Nelma Fernandes, durante o Fórum de Investimento da África Lusófona, que decorre na ilha do Sal, em Cabo Verde.

A iniciativa pretende contribuir para a estruturação de projectos empresariais e preparar propostas com condições para captar financiamento, aproximando empresas, investidores e instituições financeiras. A plataforma enquadra-se nos esforços da Confederação para dinamizar o tecido empresarial lusófono e transformar oportunidades identificadas nos diferentes mercados em negócios sustentáveis.

Durante a sua intervenção, a dirigente destacou igualmente a certificação dos produtos como um dos factores necessários para aumentar as trocas comerciais entre os países da comunidade e facilitar o acesso a mercados internacionais, incluindo o europeu.

Neste âmbito, revelou que a Confederação já trabalha na certificação de produtos provenientes dos países da CPLP e dispõe de um protocolo com uma das principais distribuidoras de Portugal, com o objectivo de facilitar a entrada de produtos dos países africanos lusófonos naquele mercado.

Corredor do Lobito exige empresas e transformação local

Ao abordar as oportunidades de investimento em Angola, Nelma Fernandes destacou o Corredor do Lobito como uma infra-estrutura estratégica para a dinamização da actividade empresarial, o escoamento da produção e a transformação de matérias-primas.

Na perspectiva da responsável, o desenvolvimento do corredor não deverá limitar-se à construção e modernização das infra-estruturas de transporte e logística, devendo ser acompanhado pela instalação de empresas capazes de aproveitar as oportunidades económicas geradas ao longo do seu percurso.

“Um corredor sem empresas é apenas uma linha no mapa”, observou, defendendo a mobilização de financiamento para negócios que permitam transformar recursos naturais, criar empregos e aumentar o valor acrescentado da produção nacional.

A dirigente considerou que Angola dispõe de oportunidades para reforçar a sua participação na transformação de matérias-primas críticas destinadas à indústria tecnológica e à produção de baterias. Para concretizar esse potencial, sublinhou a necessidade de desenvolver capacidades industriais, empresariais e financeiras que permitam avançar da exploração de recursos para a sua transformação local.

Comércio intracomunitário continua limitado

A presidente da Confederação Empresarial da CPLP chamou também a atenção para o reduzido volume de comércio entre os países africanos de língua portuguesa. Segundo os dados apresentados na sua intervenção, as trocas comerciais entre estes Estados representam menos de 5% do comércio considerado na análise.

Para Nelma Fernandes, a partilha da língua portuguesa constitui uma vantagem para a aproximação entre os mercados, mas não garante, por si só, a integração económica. A responsável defendeu o aumento da produção, o reforço da transformação local e a criação de mecanismos que facilitem a comercialização de bens e serviços entre os países membros.

A Guiné-Bissau foi apontada como exemplo dos desafios existentes na valorização dos recursos locais. De acordo com os dados apresentados, a castanha de caju representa cerca de 90% das exportações do país, mas menos de 10% da produção é transformada localmente.

Perante este cenário, Nelma Fernandes defendeu o financiamento de unidades industriais destinadas ao processamento da castanha, de modo a aumentar o valor acrescentado da produção nacional e criar oportunidades de emprego, sobretudo para jovens e mulheres.

A responsável identificou igualmente oportunidades de diversificação económica na Guiné Equatorial, de desenvolvimento de fornecedores locais em Moçambique e de valorização do cacau e do chocolate em São Tomé e Príncipe. Para Cabo Verde, destacou o potencial dos sectores do turismo, da agricultura e da economia azul.

Seis projectos-âncora para 2027

Como prioridade para dar seguimento às propostas apresentadas no fórum, Nelma Fernandes defendeu a identificação de seis projectos-âncora para 2027, correspondentes aos seis países africanos de língua portuguesa referidos na sua intervenção.

A proposta passa por seleccionar um projecto por país, assegurando que cada iniciativa esteja devidamente estruturada e preparada para apresentar aos financiadores. O objectivo é criar uma carteira de projectos concretos, com condições para avançar para as fases de análise, financiamento e execução.

A dirigente defendeu ainda a criação de uma mesa permanente de co-financiamento, a implementação de mecanismos de partilha de risco e o reforço das trocas comerciais entre empresas lusófonas.

Na sua perspectiva, o próximo fórum deverá apresentar resultados mensuráveis, incluindo projectos efectivamente financiados, em vez de se limitar à identificação de oportunidades ou à realização de encontros institucionais.

Entre as propostas apresentadas está o incentivo à compra de produtos originários dos próprios países da comunidade, incluindo o café de Angola, o atum de Cabo Verde, a castanha de caju da Guiné-Bissau e o cacau de São Tomé e Príncipe.

A iniciativa pretende estimular a procura intracomunitária, criar novas oportunidades para os produtores e facilitar a construção de relações comerciais mais consistentes entre os mercados lusófonos.

Do potencial económico à concretização dos investimentos

Para Nelma Fernandes, o fortalecimento da cooperação económica entre os países de língua portuguesa exige uma maior articulação entre os governos, as empresas, as instituições financeiras e os investidores privados.

A responsável defendeu que a avaliação dos resultados deverá ter como referência o número de projectos estruturados, financiados e efectivamente executados, bem como a sua capacidade de gerar emprego, estimular a produção e aumentar o valor acrescentado nas economias nacionais.

A aposta na plataforma empresarial, na certificação dos produtos, no co-financiamento e na identificação de projectos-âncora integra, assim, uma estratégia orientada para transformar a proximidade linguística e as oportunidades de investimento em relações comerciais mais fortes e em resultados económicos concretos no espaço africano lusófono.

 

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