AIPEX considera privatizações um sinal de abertura ao investimento privado em Angola

O presidente do Conselho de Administração da Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações de Angola (AIPEX), Arlindo das Chagas Rangel, destacou, esta Terça-feira, as privatizações, a disponibilidade de recursos energéticos e a melhoria dos indicadores macroeconómicos como factores que podem reforçar a atractividade de Angola para os investidores internacionais. Ao intervir no painel…
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Presidente do Conselho de Administração da Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações de Angola refere que o processo demonstra a intenção do Estado de reduzir a sua participação enquanto operador económico.
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O presidente do Conselho de Administração da Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações de Angola (AIPEX), Arlindo das Chagas Rangel, destacou, esta Terça-feira, as privatizações, a disponibilidade de recursos energéticos e a melhoria dos indicadores macroeconómicos como factores que podem reforçar a atractividade de Angola para os investidores internacionais.

Ao intervir no painel “Investir em Angola”, no âmbito do Fórum de Investimento da África Lusófona 2026, realizado na ilha do Sal, em Cabo Verde, o responsável sublinhou que a campanha de privatizações em curso no país deve ser entendida não apenas pelos valores arrecadados, mas sobretudo pelo sinal que transmite ao mercado.

Segundo Arlindo das Chagas Rangel, o processo demonstra a intenção do Estado de reduzir a sua participação enquanto operador económico e criar maior espaço para a intervenção do sector privado, permitindo que os empresários assumam um papel mais relevante na dinamização da economia.

“O mais importante desta campanha de privatização não são os valores arrecadados, mas é um sinal claro para o mercado, para os empresários, de que o Estado está a retirar-se enquanto operador e está a deixar o mercado ser operado pelo sector privado”, afirmou.

AIPEX regista cerca de 380 projectos de investimento

No balanço dos investimentos captados, o responsável revelou que, entre 2023 e 2025, Angola registou cerca de 380 projectos, com um valor global de investimento estimado em 14,9 mil milhões de dólares, embora a transcrição do discurso não permita confirmar a moeda de referência.

De acordo com o presidente da AIPEX, os dados evidenciam o interesse de investidores estrangeiros no mercado angolano, com destaque para os países asiáticos, particularmente a China. O responsável mencionou igualmente a presença de outros mercados, incluindo Singapura e Dubai, enquanto Portugal surge entre os países lusófonos com participação no investimento.

A predominância de investidores asiáticos, segundo a intervenção, reflecte mudanças na geografia dos fluxos internacionais de capitais e a necessidade de Angola diversificar as suas parcerias económicas, tendo em conta os novos centros de investimento global.

Energia e recursos naturais como vantagens competitivas

Arlindo das Chagas Rangel apontou também o potencial energético de Angola como uma das vantagens competitivas do país na captação de investimento. Entre os factores destacados estão a disponibilidade de terras aráveis, os recursos naturais e a capacidade de produção de energia, incluindo fontes limpas.

O responsável referiu que Angola dispõe de uma capacidade de produção eléctrica superior às necessidades actuais de consumo e que a entrada em funcionamento de novos projectos hidroeléctricos poderá ampliar essa disponibilidade.

Na sua intervenção, destacou ainda o custo da electricidade como um factor relevante para a competitividade das empresas, sustentando que os preços praticados em Angola são inferiores aos de outros mercados africanos e europeus. Os valores comparativos mencionados no discurso carecem, contudo, de confirmação através de dados sectoriais actualizados.

Para a AIPEX, a disponibilidade de energia a preços competitivos poderá favorecer a instalação de unidades industriais, a expansão das actividades produtivas e o desenvolvimento de projectos empresariais em diferentes sectores da economia.

Estabilidade e segurança jurídica

O presidente da AIPEX reconheceu que persistem desafios relacionados com a previsibilidade do ambiente de negócios e a celeridade dos processos judiciais, aspectos que considera importantes para a confiança dos investidores.

Na sua avaliação, a segurança jurídica, a transparência e a capacidade de resolução de litígios são elementos essenciais para reduzir os riscos associados à realização de investimentos de médio e longo prazo.

O responsável destacou, neste contexto, a importância dos mecanismos de arbitragem e das iniciativas destinadas a reforçar a confiança dos operadores económicos, sublinhando que a qualidade das leis deve ser acompanhada pela sua aplicação eficaz.

A intervenção enquadrou-se no debate sobre as condições necessárias para atrair capital privado, diversificar a economia e transformar as oportunidades existentes em projectos concretos de produção, emprego e exportação.

Ao apresentar Angola como um mercado com recursos naturais, potencial energético e oportunidades de expansão empresarial, Arlindo das Chagas Rangel defendeu a importância de reforçar a comunicação sobre as potencialidades do país e de permitir que os próprios angolanos apresentem a realidade nacional aos investidores internacionais.

O Fórum de Investimento da África Lusófona 2026 reúne representantes institucionais, empresários e investidores com o objectivo de promover parcerias e identificar oportunidades de negócio entre os países de língua portuguesa.

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