Angola destaca potencial da cooperação China-África para o desenvolvimento industrial lusófono

O Governo de Angola defendeu, em Xangai, na China, a criação de novos mecanismos de financiamento para acelerar a industrialização africana, com maior aposta no investimento privado, na inovação tecnológica e na transformação local dos recursos naturais. A posição foi manifestada pelo ministro da Indústria e Comércio de Angola, Rui Miguêns de Oliveira, durante a…
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Rui Miguêns de Oliveira apela ao reforço do investimento privado, da inovação e das parcerias económicas entre África e China, defendendo alternativas ao endividamento soberano.
Economia

O Governo de Angola defendeu, em Xangai, na China, a criação de novos mecanismos de financiamento para acelerar a industrialização africana, com maior aposta no investimento privado, na inovação tecnológica e na transformação local dos recursos naturais.

A posição foi manifestada pelo ministro da Indústria e Comércio de Angola, Rui Miguêns de Oliveira, durante a sua intervenção no Fórum do Banco da China, realizado no âmbito da 9.ª edição da Exposição Internacional de Importações da China (CIIE 2026), sob o lema “Mobilizar a Força Financeira para Promover a Cooperação Económica e Comercial Global e o Crescimento Impulsionado pela Inovação”.

Na ocasião, o governante considerou que África enfrenta um paradoxo económico, caracterizado pela abundância de recursos naturais e potencial demográfico, mas também por elevados níveis de saída de capitais e dificuldades de financiamento do desenvolvimento industrial.

“Para construirmos uma economia mundial verdadeiramente cooperativa, devemos, antes de mais, enfrentar os desequilíbrios estruturais que caracterizaram o panorama financeiro do nosso continente ao longo dos últimos 15 anos”, ressaltou.

Segundo Rui Miguêns de Oliveira, entre 2011 e 2026, os fluxos acumulados de Investimento Directo Estrangeiro (IDE) destinados ao continente rondaram os 800 mil milhões de dólares, com uma concentração significativa nos sectores extractivos e em determinados centros económicos.

O ministro chamou igualmente a atenção para os encargos relacionados com a dívida externa, referindo que o serviço da dívida africana ultrapassou, nos últimos anos, os 80 mil milhões de dólares anuais, limitando a capacidade dos governos de investir em infra-estruturas industriais, educação, saúde e inovação tecnológica.

“Embora estes valores representem um interesse significativo pelos nossos mercados, os investimentos continuam fortemente concentrados nas indústrias extractivas e em alguns centros económicos regionais”, disse o ministro.

Perante este cenário, defendeu que o continente precisa de ultrapassar a dependência do financiamento através da dívida soberana e privilegiar investimentos em capital próprio, capazes de impulsionar a criação de empresas, fábricas e postos de trabalho.

No caso de Angola, destacou os esforços do Executivo, sob a liderança do Presidente da República, João Lourenço, para promover a diversificação económica e reduzir a dependência do petróleo, através do reforço da produção nacional.

Entre as iniciativas apontadas está o Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI), que prioriza sectores como a agro-indústria, a transformação dos recursos minerais e a indústria transformadora.

O governante referiu ainda as reformas da Lei do Investimento Privado, a simplificação dos procedimentos de constituição e registo de empresas e o programa de privatizações como instrumentos destinados a atrair capital privado e ampliar as oportunidades de investimento.

Rui Miguêns de Oliveira destacou também a importância da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA), considerando que Angola reúne condições para se afirmar como uma plataforma industrial e comercial de acesso a um mercado continental de aproximadamente 1,4 mil milhões de pessoas.

Dirigindo-se às instituições financeiras e aos investidores chineses, o ministro apelou à criação de modelos inovadores de financiamento, incluindo mecanismos de financiamento misto, parcerias público-privadas e estruturas de financiamento de projectos que reduzam os riscos associados ao investimento na indústria transformadora e na tecnologia.

O governante defendeu igualmente o aproveitamento da experiência chinesa no desenvolvimento de zonas económicas especiais, energias renováveis e soluções digitais para consolidar uma base industrial africana sustentável.

“Os últimos 15 anos ensinaram-nos que o capital, quando não é acompanhado por uma política industrial, conduz ao endividamento. Mas o capital, quando associado à inovação, à produção local e ao comércio justo, conduz à prosperidade”, afirmou.

Na sua intervenção, o ministro reiterou que Angola está aberta ao investimento estrangeiro, destacando as oportunidades existentes nos sectores da energia, água, transportes, telecomunicações, caminhos-de-ferro, portos e aeroportos, bem como na educação.

Apontou ainda os centros industriais emergentes nas províncias de Benguela, Huambo e Lubango como destinos com potencial para acolher novos investimentos e parcerias empresariais.

A intervenção terminou com um apelo ao reforço da cooperação económica entre Angola, África e China, defendendo uma parceria orientada não apenas para o comércio e financiamento, mas também para a produção, a transferência de tecnologia e a criação de valor acrescentado no continente africano.

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