Angola prevê introduzir 1.000 autocarros eléctricos na primeira fase do Ondjila Green

A transição energética deverá assumir uma dimensão crescente no sector dos transportes em Angola, com a implementação do programa Ondjila Green, iniciativa que prevê, numa primeira fase, a instalação de 2.000 carregadores para veículos eléctricos e a introdução faseada de pelo menos 1.000 autocarros eléctricos em diferentes pontos do país. O programa surge no quadro…
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O programa surge no quadro da estratégia de modernização do sistema nacional de transportes apresentada pelo Ministério dos Transportes e está associado à criação de condições para a expansão progressiva da mobilidade eléctrica em Angola.
Economia

A transição energética deverá assumir uma dimensão crescente no sector dos transportes em Angola, com a implementação do programa Ondjila Green, iniciativa que prevê, numa primeira fase, a instalação de 2.000 carregadores para veículos eléctricos e a introdução faseada de pelo menos 1.000 autocarros eléctricos em diferentes pontos do país.

O programa surge no quadro da estratégia de modernização do sistema nacional de transportes apresentada pelo Ministério dos Transportes e está associado à criação de condições para a expansão progressiva da mobilidade eléctrica em Angola.

Para a concretização da iniciativa, foi formalizado um memorando de entendimento entre o Ministério dos Transportes, o Fundo Soberano de Angola e a OPAIA Motors, estabelecendo uma base de cooperação para o desenvolvimento de uma rede nacional de carregamento e para a introdução gradual de autocarros eléctricos.

A iniciativa integra os instrumentos de cooperação formalizados no âmbito da segunda edição do Angola Hub Transporte e Logística, que reúne entidades públicas, instituições financeiras, parceiros privados e organizações ligadas ao desenvolvimento das infra-estruturas de transporte e logística.

O programa Ondjila Green coloca a mobilidade eléctrica no centro de uma estratégia que pretende combinar a modernização dos meios de transporte com o desenvolvimento de novas infra-estruturas e a adopção de soluções tecnológicas orientadas para uma maior eficiência energética.

2.000 carregadores na primeira fase

Um dos principais eixos do programa será a criação de uma rede nacional de carregamento para veículos eléctricos, com a instalação prevista de 2.000 carregadores em diferentes zonas do país.

A expansão desta infra-estrutura constitui uma das condições necessárias para acompanhar o crescimento da mobilidade eléctrica, uma vez que a introdução de veículos eléctricos exige uma rede de carregamento capaz de responder às necessidades dos operadores e utilizadores.

A instalação dos equipamentos deverá ser feita de forma progressiva, acompanhando a evolução da frota eléctrica e a procura por este tipo de serviço.

A rede deverá permitir igualmente criar uma base de suporte para a circulação de veículos eléctricos em diferentes áreas do território nacional, contribuindo para que a adopção desta tecnologia não fique limitada a determinadas zonas urbanas.

A criação de uma infra-estrutura nacional de carregamento poderá ainda abrir espaço para o desenvolvimento de novos serviços associados à mobilidade eléctrica, envolvendo operadores, investidores, empresas tecnológicas, prestadores de serviços e entidades públicas.

Com a expansão da rede, o sector dos transportes poderá assistir ao surgimento de novas actividades económicas relacionadas com a instalação, operação, manutenção e gestão dos postos de carregamento.

Pelo menos 1.000 autocarros eléctricos

A componente de infra-estrutura será acompanhada pela introdução faseada de pelo menos 1.000 autocarros eléctricos, destinados a diferentes pontos do país.

A entrada destes veículos deverá ocorrer de forma gradual, em articulação com a expansão da rede de carregamento e com a preparação das condições técnicas e operacionais necessárias para garantir a sua utilização.

A introdução de autocarros eléctricos representa uma mudança significativa no modelo de transporte colectivo, uma vez que exige não apenas a aquisição dos veículos, mas também a adaptação das infra-estruturas, das oficinas, dos sistemas de manutenção e dos procedimentos de operação.

A transição para uma frota eléctrica implica igualmente a formação de profissionais capazes de trabalhar com novas tecnologias, desde técnicos de manutenção e electricistas especializados até operadores e gestores de sistemas de mobilidade eléctrica.

Neste sentido, o ONDJILA GREEN poderá contribuir para o desenvolvimento de novas competências profissionais no sector dos transportes, criando uma procura adicional por mão-de-obra especializada.

Mobilidade eléctrica exige nova infra-estrutura

A expansão da mobilidade eléctrica pressupõe uma transformação que vai além da substituição dos veículos convencionais por unidades movidas a electricidade.

A disponibilidade de pontos de carregamento, a capacidade da rede eléctrica, a manutenção dos equipamentos, a formação de técnicos e a definição de modelos de operação constituem elementos fundamentais para a sustentabilidade do programa.

A criação da rede nacional de carregamento deverá, por isso, acompanhar o crescimento da frota eléctrica, permitindo que os operadores disponham de condições para planear as rotas e os períodos de carregamento dos veículos.

No caso dos autocarros, esta componente assume particular importância devido às características da operação de transporte colectivo, que exige disponibilidade regular dos veículos e cumprimento de horários e rotas previamente definidos.

A expansão da mobilidade eléctrica poderá também estimular a modernização das oficinas e centros de manutenção, tendo em conta que os veículos eléctricos utilizam sistemas tecnológicos diferentes dos meios convencionais.

A formação especializada passa, assim, a constituir uma componente importante da estratégia, sobretudo para assegurar a capacidade nacional de manutenção e operação dos novos equipamentos.

Rede poderá abranger diferentes zonas do país

A instalação dos 2.000 carregadores deverá abranger diferentes zonas do território nacional, permitindo construir progressivamente uma rede de suporte à expansão dos veículos eléctricos.

A distribuição dos equipamentos deverá acompanhar as necessidades de mobilidade e a expansão das frotas, criando condições para que os veículos possam operar de forma mais ampla.

A estratégia poderá também contribuir para preparar os principais centros urbanos e corredores rodoviários para uma utilização crescente de veículos eléctricos.

À medida que a rede for ampliada, poderá ser possível criar uma maior integração entre diferentes pontos de carregamento, permitindo melhorar a previsibilidade das operações e reduzir as limitações associadas à autonomia dos veículos.

A existência de uma rede nacional constitui igualmente um elemento importante para atrair novos investimentos privados para o sector, uma vez que a expansão da mobilidade eléctrica cria oportunidades em áreas como energia, tecnologia, transporte, construção, manutenção e serviços digitais.

Novo ecossistema económico

O ONDJILA GREEN poderá contribuir para o surgimento de um novo ecossistema económico ligado à mobilidade eléctrica em Angola.

Além dos fabricantes e fornecedores de veículos, poderão participar empresas especializadas em carregadores, sistemas de gestão de energia, software, manutenção, serviços de pagamento e monitorização das infra-estruturas.

A expansão deste mercado poderá ainda estimular parcerias entre empresas nacionais e internacionais, sobretudo em áreas que exigem conhecimento tecnológico especializado.

O desenvolvimento de competências nacionais será igualmente relevante para reduzir a dependência de serviços externos e assegurar a continuidade das operações no país.

Neste contexto, a mobilidade eléctrica poderá tornar-se uma área de investimento associada não apenas aos transportes, mas também à energia, tecnologia e formação profissional.

Transição energética e modernização

A aposta na mobilidade eléctrica enquadra-se numa transformação mais ampla do sector dos transportes, num momento em que os países procuram adoptar soluções tecnológicas capazes de melhorar a eficiência energética e reduzir a dependência de modelos tradicionais de mobilidade.

Em Angola, a implementação do Ondjila Green coloca o sector dos transportes perante novos desafios relacionados com o planeamento da infra-estrutura, disponibilidade energética, capacidade técnica e sustentabilidade financeira.

A modernização deverá exigir uma coordenação entre diferentes instituições, tendo em conta que a expansão dos veículos eléctricos envolve simultaneamente transportes, energia, investimento, indústria e formação.

A participação do Ministério dos Transportes, do Fundo Soberano de Angola e da OPAIA Motors reflecte, neste quadro, uma abordagem que procura juntar entidades públicas e privadas na estruturação da iniciativa.

O modelo de cooperação poderá permitir a mobilização de recursos e competências necessárias para avançar com a implementação do programa.

Investimento privado ganha espaço

A formalização do memorando insere-se numa estratégia mais abrangente do Ministério dos Transportes destinada a reforçar a preparação de projectos estruturantes e criar condições para uma maior participação de investidores privados, instituições financeiras e parceiros internacionais.

A mobilização de financiamento constitui uma das questões centrais para a concretização de grandes projectos de infra-estruturas, sobretudo aqueles que exigem investimentos iniciais significativos e apresentam períodos de retorno de médio e longo prazo.

No caso da mobilidade eléctrica, os investimentos abrangem não apenas a aquisição dos autocarros, mas também a instalação dos carregadores, adaptação das infra-estruturas, sistemas de gestão, formação e manutenção.

A estruturação adequada dos projectos poderá, por isso, determinar a velocidade de implementação e a capacidade de expansão da iniciativa para diferentes regiões do país.

Angola Hub reforça agenda de infra-estruturas

A apresentação do Ondjila Green ocorreu no âmbito da segunda edição do Angola Hub Transporte e Logística, iniciativa que coloca em discussão projectos relacionados com a conectividade, logística, infra-estruturas e modernização do sector dos transportes.

O encontro reúne diferentes intervenientes com interesse no desenvolvimento das infra-estruturas nacionais, criando uma plataforma para a apresentação de projectos e formalização de instrumentos de cooperação.

Além da mobilidade eléctrica, a agenda inclui projectos relacionados com infra-estruturas ferroviárias, concessões, financiamento e conectividade nacional e regional.

A abordagem procura reforçar a articulação entre diferentes modos de transporte e melhorar as condições para a circulação de pessoas e mercadorias.

Neste quadro, a mobilidade eléctrica passa a integrar uma agenda mais ampla de transformação do sistema de transportes, ao lado de projectos destinados a reforçar a conectividade e a capacidade logística do país.

Corredores e cidades na estratégia de mobilidade

A expansão da rede de carregamento poderá assumir particular importância nos principais centros urbanos e corredores de transporte, onde existe maior concentração de passageiros e circulação de veículos.

A criação de infra-estruturas adequadas poderá permitir que a utilização de autocarros eléctricos seja integrada progressivamente nos sistemas de transporte colectivo.

A implementação faseada dos 1.000 autocarros permitirá igualmente testar modelos de operação, avaliar necessidades de manutenção e ajustar a distribuição da infra-estrutura de carregamento às necessidades efectivas dos operadores.

O processo poderá gerar dados e experiência operacional para futuras fases de expansão da frota eléctrica.

Desta forma, a primeira fase do ONDJILA GREEN poderá funcionar como uma etapa de estruturação de um mercado que poderá crescer à medida que a infra-estrutura e as capacidades técnicas forem consolidadas.

Formação e manutenção entre os desafios

A introdução de veículos eléctricos também exigirá uma adaptação dos conhecimentos técnicos existentes no sector dos transportes.

Os sistemas de propulsão eléctrica, baterias, carregadores e equipamentos de controlo requerem conhecimentos específicos, o que deverá aumentar a necessidade de programas de formação e capacitação profissional.

A manutenção será outro dos elementos fundamentais para garantir a disponibilidade da frota.

A criação de oficinas especializadas e a formação de técnicos poderão reduzir os períodos de imobilização dos veículos e contribuir para uma gestão mais eficiente dos activos.

O desenvolvimento destas competências poderá ainda beneficiar outros sectores da economia, uma vez que conhecimentos relacionados com electricidade, electrónica, software e gestão de energia têm aplicação em diferentes áreas.

Nova etapa para os transportes

Com a previsão de 2.000 carregadores e pelo menos 1.000 autocarros eléctricos, o Ondjila Green estabelece uma das iniciativas de maior dimensão apresentadas no quadro da estratégia de transição energética aplicada aos transportes em Angola.

A concretização do programa dependerá, contudo, da realização dos estudos técnicos, definição dos modelos de implementação, estruturação financeira, instalação das infra-estruturas e criação das condições operacionais necessárias.

A expansão da mobilidade eléctrica exigirá também uma coordenação permanente entre as entidades públicas, investidores, operadores de transporte, fornecedores de tecnologia e instituições responsáveis pela formação e manutenção.

A criação de uma rede nacional de carregamento deverá constituir a base para acompanhar a introdução gradual dos veículos eléctricos, permitindo que a expansão da frota seja sustentada por uma infra-estrutura adequada.

O ONDJILA GREEN insere-se, assim, numa estratégia mais ampla de modernização do sistema de transportes, procurando combinar inovação tecnológica, mobilidade, eficiência energética, desenvolvimento de infra-estruturas e criação de novas competências.

A iniciativa poderá igualmente abrir espaço para novos modelos de negócio e investimento, à medida que a mobilidade eléctrica ganhar maior presença nas cidades e nos corredores de transporte do país.

A implementação dos primeiros projectos será determinante para avaliar a capacidade operacional do novo modelo e definir as condições para futuras fases de expansão.

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