A Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) quer transformar a língua comum numa vantagem económica, reforçando o comércio, os investimentos e as parcerias empresariais entre os seus Estados membros, num contexto de crescente reconfiguração das relações comerciais internacionais. A proposta foi defendida por Brasil e Portugal num fórum de agências de promoção económica da comunidade, em Brasília.
O ministro brasileiro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o Brasil está empenhado em aprofundar a cooperação económica entre os países lusófonos e apelou a uma maior articulação em matéria de comércio externo, política industrial, investimentos e partilha de dados.
“A língua é o que nos aproxima”, afirmou o ministro, citado pela Lusa, defendendo que os países da CPLP devem posicionar-se com maior clareza perante as mudanças na ordem política e comercial mundial. O governante apresentou o Brasil como “um grande aliado” na promoção do comércio e na atracção de investimentos.
Já a embaixadora de Portugal no Brasil, Inês Pedrosa, defendeu uma CPLP “mais dinâmica, mais próspera e mais orientada para os resultados concretos”, com maior circulação de empresas, capital e conhecimento. Sublinhou que o espaço lusófono representa mais de 300 milhões de consumidores em quatro continentes, além de dispor de recursos naturais e uma população jovem.
Para a diplomata, a língua portuguesa constitui uma “vantagem competitiva inestimável”, ao reduzir barreiras e facilitar relações empresariais. A aposta deverá passar por sectores como transição energética, economia digital, infra-estruturas e agricultura sustentável, bem como pela criação de cadeias de valor entre os países.
Por sua vez, o secretário de África e Oriente Médio do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Carlos Duarte, destacou, por seu lado, a diversificação comercial brasileira e o crescimento das relações com África.
Enquanto isso, o director-geral da Agência para a Promoção de Investimento e Exportações de Moçambique, Luís Machava, defendeu uma visão económica comum e uma cooperação mais efectiva entre as agências de promoção dos países lusófonos.
O Fórum das Agências de Promoção do Comércio e do Investimento da CPLP decorre esta Quarta-feira em Brasília, no âmbito das celebrações dos 30 anos da comunidade, reunindo representantes das instituições de promoção comercial e de investimento dos Estados membros.





